Entrevista com Ash is a Robot

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Os Ash is a Robot são uma banda de Post Hardcore formada por Cláudio Anibal na voz, Renato Sousa na guitarra, Francisco Caetano no baixo e Vasco Rydin na bateria.

Os membros dos Ash is a Robot já fizeram parte de outras bandas do panorama underground português como Monogono, Ella Palmer, Marte, Porn Sheep Hospital, Beautiful Venom.
Os concertos ao vivo são um dos pontos fortes, a energia já é conhecida dos media nacional e internacional, a musica total esteve a conversa com a banda:

– Como foi o início da carreira da banda?

Renato: Foi o típico início de banda. Juntaram-se pessoas próximas ou conhecidas com vontade de tocar, criar e principalmente de levar um projecto musical um pouco mais a sério do que é costume. A iniciativa partiu de mim, fui falando com amigos com quem já tinha tocado noutras bandas e a equipa compôs-se! No início eramos cinco elementos, neste momento somos apenas quatro. Os ex-membros Gonçalo Santos (bateria) e Bernardo Pereira (baixo) devido a situações pessoais tiveram, com muita pena nossa, de abandonar a banda. Continuamos a ser grandes amigos! A bateria agora está a cargo de Vasco Rydin. Os restantes elementos são Cláudio Aníbal na voz, Renato Sousa na guitarra e Francisco Caetano no baixo.

– Quem são as vossas principais influências musicais?

Renato: Temos imensas influências comuns, ou seja que todos os membros da banda partilham, e outras tantas a nível individual que cada um acaba por trazer para a sonoridade da banda. Dizendo nomes concretos somos muito influenciados por bandas como Refused, At the Drive In e Mars Volta, não só pela música como pela atitude e maneira de encarar os espectáculos ao vivo. Mas com o passar do tempo outras influências estão a ficar cada vez mais vincadas no som que praticamos, nomes como Yes, Genesis, Rush, King Crimson são cada vez mais mencionados por nós e por amigos a quem mostramos as músicas novas que estamos a compor.

– Vivem da música?

Renato : Nós vivemos para a música! Dedicamo-nos à banda a tempo inteiro, seja a tocar ao vivo em Portugal ou pela Europa, compôr e gravar no estúdio, promover a banda, marcar concertos, gravar vídeos… Ter uma banda com ambições de chegar a algum lado e de apresentar material fresco e com qualidade ocupa as 24 horas que o dia tem e mais algumas!
Quanto ao retorno económico que retiramos desta actividade, todo ele é de novo utilizado para investir na banda, ainda estamos na fase do investimento inicial.

– Como definem este novo EP digital “Sympathetic Vibration”?
Renato: Para nós a nível de composição foi um desafio e uma oportunidade de aprendizagem.
O “Sympathetic Vibration” contém cinco versões semiacústicas de temas presentes no primeiro álbum da banda, alguns deles eram originalmente muito pesados (com muitas vozes berradas), dã o desafio de conseguir torná-los em canções com arranjos mais acústicos e vozes melódicas. No total o EP contém seis temas, sendo um deles um original “Sleep Paralysis” que revela uma faceta mais pop/rock da banda, sem no entanto perder a sua identidade.

-Foram destingidos com varias participações em concurso até que ponto isso ajudou a banda?

Renato: Conseguimos ganhar um concurso para tocar no Sziget Festival da Hungria, e outro também para tocar no Resurrection Fest em Espanha, foi uma oportunidade de levar o nome e a música da banda a mais público e sem dúvida que contribuiu para o rápido crescimento que a banda tem tido.

– Qual a meta é vender muitos discos, tocar ao vivo, ou uma carreira total na musica?

Renato: A meta é continuar a existir! Queremos conseguir chegar a mais e mais público para também podermos criar material com mais qualidade e continuarmos a dedicar o nosso tempo todo a este projecto. Porém não metemos sequer a hipótese de fazermos música a pensar nisso, que temos de vender ou temos de conseguir entrar num certo mercado… Primeiro nós fazemos a música que gostamos e só depois pensamos em como a vamos promover e até onde é que ela pode chegar.

– Para próximos tempos o que segue?

Renato: Mais e mais. Estamos neste momento a preparar muito mais material, na minha opinião o melhor trabalho da banda está neste momento a ser composto. A nível de concertos, vamos andar em tour pela Europa em Fevereiro e Março. Quando chegarmos vamos nos focar mais na composição.

– O que acham do atual panorama da música em Portugal?

Renato: Existem muito boas bandas e músicos em Portugal, a nível criativo penso que temos um país rico, e é pena não haver mais apoio por parte do governo e outras entidades a quem quer realmente criar arte. Compreendo que a música e a arte não têm valor num sistema monetário e capitalista a não ser que existam pessoas que a comprem, e hoje em dia quem é que compra música? Enfim… já estou a divagar.

– E dos sites de musica em Portugal?
Renato: Quantos mais melhor.

– E da rádio musica em Portugal?
Renato: A nossa carrinha tem o leitor de cd’s avariado pelo que temos ouvido bastante rádio nos últimos tempos.
Devo dizer que 90% da música que passa nas estações de rádio mais badaladas não tem qualquer originalidade e até se pode argumentar que não tem qualidade. Isto é a minha opinião pessoal, nem estou a falar pela banda, e pronto uma opinião vale o que vale. As estações de rádio mainstream são empresas sem qualquer visão artística a quem só interessa o dinheiro que gerem, é claro que há excepções felizmente! Existe música feita em Portugal com muita qualidade e felizmente ainda existem pessoas a trabalhar nesse meio que se importam e querem revela-la ao mundo.

– E dos sites da Tv?

Já estivemos várias vezes no Curto Circuito na Sic Radical mas se tivermos mais oportunidade para aparecer noutros programas, aparecemos.