5 discos novos para ouvir esta semana

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Todas as semanas aparecem dezenas de discos novos. Alguns passam quase sem deixar rasto, outros fazem levantar as sobrancelhas logo à primeira leitura das novidades internacionais.

Entre anúncios de álbuns, críticas recentes e recomendações da imprensa musical, há sempre alguns títulos que pedem uma escuta com mais calma.
Esta semana surgiram cinco discos que merecem atenção. São projetos diferentes entre si, vindos de universos musicais distintos, mas todos revelam artistas com identidade própria e percursos interessantes.

Kim Gordon — The Collective

 

 

Figura central do rock alternativo desde os anos 80, Kim Gordon ficou conhecida como baixista e vocalista dos Sonic Youth, uma das bandas mais influentes da história do indie rock. Depois do fim do grupo em 2011, Gordon iniciou uma carreira a solo onde tem explorado linguagens mais experimentais.
Em The Collective a artista mergulha num território sonoro onde o ruído, o hip-hop industrial e a eletrónica se cruzam. As faixas têm uma atmosfera urbana e fragmentada, refletindo a forma como Gordon observa o mundo contemporâneo. Mais do que nostalgia, este disco mostra uma artista veterana ainda curiosa e disposta a arriscar.

James Blake — Playing Robots Into Heaven

James Blake tornou-se uma das figuras mais influentes da música eletrónica e do pop experimental na última década. Desde o seu álbum de estreia em 2011 que o músico britânico tem alternado entre baladas minimalistas e produções eletrónicas mais densas.
Neste disco regressa a uma abordagem mais rítmica e orientada para a pista de dança. As batidas são mais presentes e o trabalho de produção destaca a capacidade de Blake para combinar texturas eletrónicas com a sua voz emotiva. O resultado é um álbum que equilibra introspeção e energia de clube.

Tinariwen — Amatssou

A banda Tinariwen é um dos projetos mais importantes do chamado desert blues. Formados no Mali nos anos 80, os músicos misturam guitarras elétricas com tradições musicais tuaregues, criando um som hipnótico que se tornou referência mundial.
Amatssou continua esse percurso, mas acrescenta novas influências, incluindo elementos de folk e country norte-americano. As guitarras continuam a conduzir o disco, criando paisagens sonoras que evocam as vastidões do deserto. É um álbum que reforça a identidade da banda e a sua ligação à cultura do Saara.

Cut Worms — Transmitter

O projeto Cut Worms é liderado pelo músico norte-americano Max Clarke. A sua música tem sido frequentemente associada a um revivalismo folk que olha para a pop clássica das décadas de 60 e 70.
Em Transmitter essa estética continua presente. As canções são construídas com melodias suaves, arranjos delicados e uma atmosfera nostálgica que lembra gravações antigas. Ao mesmo tempo, o disco mostra um compositor cada vez mais confiante na construção de canções simples mas eficazes.

Alexis Taylor — Paris in the Spring

 

Conhecido como vocalista e um dos principais compositores dos Hot Chip, Alexis Taylor tem desenvolvido também uma carreira a solo paralela ao grupo.
Neste álbum o músico britânico explora um lado mais intimista. As canções misturam elementos de synth-pop, disco elegante e arranjos minimalistas. A voz suave de Taylor conduz o disco com uma sensibilidade que contrasta com o lado mais dançável dos Hot Chip.

Entre regressos inesperados, veteranos inquietos e projetos que continuam a evoluir, estes cinco discos mostram como a música atual continua a cruzar estilos e geografias. Vale a pena reservar algum tempo para explorar cada um deles. Às vezes uma semana de lançamentos pode esconder descobertas que ficam connosco durante muito mais tempo.

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