Nem tudo passa pelo radar óbvio. Esta semana houve música a nascer em sítios mais discretos, longe das playlists automáticas, mas com mais identidade do que muita coisa que já anda a rodar em loop.
Fomos escavar. E encontrámos quatro temas que não pedem atenção, ganham-na.

Friko – Choo Choo
Começa leve, quase despretensioso. Depois cresce. Há uma urgência ali, meio contida, guitarras que empurram mas nunca explodem completamente.
Os Friko estão a construir qualquer coisa séria. Isto soa a banda que ainda não chegou ao topo, mas já sabe o caminho.
Fica no ouvido sem pedir licença.
Cass McCombs – Seeing the Elephant
Mais lento. Mais pensado. Mas não menos intenso.
Cass McCombs escreve como quem não precisa de provar nada. Cada palavra parece colocada com calma, quase em suspensão.
Não é imediato. E ainda bem. É daqueles temas que se vão infiltrando aos poucos.
Los Thuthanaka – Novo tema
Aqui já não há concessões.
Mistura tradição, eletrónica e uma estética própria que foge completamente ao padrão. Não é música fácil, mas também não quer ser.
É exatamente o tipo de som que justifica esta rubrica. Descoberta pura.
Wendy Eisenberg – Novo tema
Mais emocional, mas nunca previsível.
Há fragilidade aqui, mas também controlo. A música parece sempre prestes a desviar-se, mas mantém-se firme o suficiente para segurar tudo.
Não tenta agradar. E talvez seja por isso que resulta.
Quatro temas. Nenhum feito para algoritmos.
Para a semana voltamos. Talvez noutro canto qualquer da internet.

