Tsunamiz regressa com “Apocalypsing” e há um lado mais cru a vir ao de cima

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Há momentos em que um single não serve só para apresentar um disco. Serve para ajustar contas com o passado. “Apocalypsing”, o novo tema de Tsunamiz, chega com esse peso. Não como teaser leve, mas como um aviso direto do que aí vem no próximo capítulo.

Foto por Ana Verde

 

Este novo lançamento marca o arranque do nono álbum do projeto lisboeta e reforça uma coisa que já não é surpresa, mas continua a crescer: a urgência. A sensação de que há qualquer coisa a ser expulsa cá para fora, sem filtro.

Entre o ruído e a tensão

“Apocalypsing” vive de contraste. Começa contido, quase a medir terreno, e depois explode sem pedir equilíbrio. A estrutura quiet-to-loud não é nova, mas aqui sente-se física. Como se cada subida fosse inevitável.

A mistura também não tenta agradar. Há punk cru, eletrónica agressiva e uma base que remete diretamente para o big beat dos anos 90. Não é só referência estética. É energia mesmo. Suja, direta, sem polimento excessivo.

Um tema que nasce de confronto

A origem da canção não é abstrata. Vem de experiências de bullying e ambientes hostis. E isso nota-se. Não na forma de discurso explícito, mas na tensão constante que atravessa o tema.

Há uma transformação clara aqui. O que podia ficar preso na confrontação passa para outra coisa. Libertação. Catarse. E talvez seja isso que dá ao single esta sensação de urgência quase desconfortável.

Um percurso cada vez mais intenso

Tsunamiz, projeto de Bruno Sobral, já vai no nono álbum. Cinco discos nos últimos cinco anos não é só produtividade. É insistência. Uma necessidade contínua de criar, de testar limites, de não ficar parado.

Essa ética DIY continua a ser central. Tudo nasce do mesmo núcleo criativo, sem concessões óbvias a tendências. O resultado é uma identidade que não se fixa num género específico, mas também não se perde.

O que este single realmente antecipa

“Apocalypsing” não parece um ponto isolado. Funciona mais como porta de entrada para algo maior. Um disco que, pelo menos à partida, deve puxar ainda mais por esta mistura de intensidade emocional e agressividade sonora.

O videoclipe acompanha essa ideia. Mais do que ilustrar a música, revisita momentos do percurso do artista. Como se este lançamento fosse também uma espécie de balanço, antes de avançar.

E fica a pergunta no ar. Se este é só o início, até onde é que isto vai escalar daqui para a frente?

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