A nova música portuguesa volta a encontrar-se em Leiria na 8.ª edição do Clap Your Hands

Há festivais que nascem do barulho e da urgência. Outros crescem devagar, sem pressa, construindo um lugar próprio na geografia cultural de um território. O Clap Your Hands é dos segundos.

 

A oitava edição do festival acontece entre fevereiro e maio de 2026, com quatro concertos distribuídos pelo Teatro Miguel Franco e pela Blackbox, em Leiria. Organização conjunta da Fade In – Associação de Acção Cultural e da Omnichord. Bilhetes ainda sem preço anunciado.

Noiserv e Grutera abrem a edição no Teatro Miguel Franco

A primeira noite está marcada para 6 de fevereiro, às 21h30, no Teatro Miguel Franco. Noiserv apresenta ao vivo o novo álbum 7305, um trabalho que confirma a identidade sonora construída ao longo dos anos e marca um ponto de viragem na sua trajetória. Os concertos de Noiserv sempre tiveram essa qualidade de intimidade amplificada, como se o palco fosse apenas um pretexto para estar mais perto. Desta vez, o repertório cruza passado e presente, sem nostalgia, sem forçar pontes.

Grutera partilha o cartaz. Projeto instrumental de guitarra acústica que trabalha a partir do silêncio, da repetição e da falha humana. Não há urgência aqui, há construção lenta. As paisagens sonoras nascem de pequenos gestos, de notas que se repetem até mudarem de sentido. É música que pede atenção, não como exigência, mas como convite.

Mães Solteiras e Albatroz levam punk e experimentação à Blackbox

No dia 13 de março, às 21h30, a Blackbox recebe Mães Solteiras e Albatroz. Duas abordagens completamente distintas da música feita em Portugal, dois modos diferentes de estar no palco.

Mães Solteiras regressam ao barulho sem pedir desculpa. VAMOS SER BREVES é um disco que diz tudo no título: punk direto, canções curtas, energia crua. Não há tempo para excessos nem para distrações. A banda volta à urgência que sempre foi a sua, àquela vontade de fazer barulho e ir embora antes que alguém peça explicações.

Albatroz vem de Leiria, formado por amigos de longa data que cresceram dentro da cena musical da cidade. A música nasce da experimentação coletiva, do trabalho partilhado, daquela vontade de construir algo sem saber bem onde vai dar. Há influências locais, há memória de projetos que marcaram o território, há também vontade de ir além disso.

Expresso Transatlântico, Stone Dead, Bia Maria e Gisela Mabel fecham o ciclo

As últimas duas noites do Clap Your Hands acontecem em abril e maio. A 18 de abril, às 21h30, Expresso Transatlântico e Stone Dead sobem ao palco do Teatro Miguel Franco. A fechar, a 15 de maio, também às 21h30, a Blackbox recebe Bia Maria acompanhada por um coro local e Gisela Mabel.

Não é só um calendário de concertos. É uma programação pensada para criar diálogo, para cruzar estéticas, para dar espaço a nomes emergentes ao lado de projetos já consolidados. O Clap Your Hands sempre funcionou assim, como ponto de encontro entre diferentes geografias da música portuguesa. Projetos de Lisboa, do Porto, de Leiria, de outros cantos do país, todos a dividirem o mesmo palco, a mesma noite, o mesmo público.

Ao longo de sete edições, o festival deu palco a Ana Lua Caiano, iolanda, Fado Bicha, PAUS, Cabrita, Lavoisier, Conjunto Corona, Joana Espadinha, Cassete Pirata, Tomara, A Jigsaw, O Gajo, Wipeout Beat, She Pleasures Herself, Mike El Nite, Ermo, Eden Synthetic Corps, Fugly, Nerve, Luís Severo, Benjamim, The Twist Connection, Ghost Hunt, Cave Story, Surma. A lista continua, mas já diz o suficiente sobre a amplitude de propostas que passaram por Leiria.

A oitava edição mantém essa linha. Diversidade estética, atenção ao presente, enraizamento no território. O Clap Your Hands não tenta ser mais do que é: um espaço onde a nova música portuguesa se encontra, se ouve, se descobre.