Buena Vista All Stars revivem “Chan Chan” em Berlim e voltam a pôr o son cubano no presente

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Há canções que não envelhecem. Reaparecem. Ganham outra pele, outro contexto, mas mantêm aquele núcleo difícil de explicar. “Chan Chan” pertence a esse território raro, e a nova versão ao vivo dos Buena Vista All Stars, gravada em Berlim, mostra exatamente isso.

 

O lyric video agora divulgado recupera um momento específico de palco, mas funciona quase como uma cápsula maior. Mais do que nostalgia, o que se sente aqui é continuidade. Uma música que atravessa décadas sem perder função, sem se tornar peça de museu.

Um clássico que nunca saiu realmente de cena

“Chan Chan” não precisa de apresentação, mas também nunca fica totalmente esgotada. Cada nova interpretação revela pequenas mudanças de textura, de respiração, de intenção. E isso nota-se logo nos primeiros segundos desta gravação.

A base mantém-se fiel ao espírito do son cubano tradicional, mas há uma energia diferente quando transportada para um palco europeu. O público reage de outra forma, o tempo interno da música adapta-se ligeiramente. Nada é forçado, mas tudo se desloca um pouco.

Berlim como palco improvável mas eficaz

Existe sempre algo curioso quando música profundamente enraizada num território específico ganha nova vida fora dele. Berlim, com a sua história cultural fragmentada e aberta, acaba por ser um cenário quase ideal para este tipo de reencontro.

A atuação capta essa tensão subtil entre origem e deslocação. Não há tentativa de “tradução” cultural. A música chega como é, e é precisamente isso que cria ligação. O calor do Caribe a atravessar uma sala europeia sem filtros.

Liderança, legado e continuidade em palco

Sob a direção de Demetrio Muñiz, os Buena Vista All Stars continuam a operar num equilíbrio delicado entre preservação e reinvenção. Não se trata de repetir fórmulas, mas de manter vivo um repertório que depende da interpretação no momento.

A presença de músicos como Barbarito Torres e Manuel Machado reforça essa ideia de linhagem. Não é apenas execução técnica. É memória incorporada. Cada frase musical carrega história, mas também decisão presente.

Digressão 2026 e a permanência de um repertório vivo

A nova digressão internacional confirma que este projeto continua longe de terminar. Com datas espalhadas pela Europa e além, o grupo mantém-se em circulação ativa, sem sinais de desgaste evidente.

Ancara abre o calendário em abril, seguindo-se cidades como Toulouse, Vienne, Freiburg e várias paragens em Espanha e no Reino Unido. No final do ano, a rota estende-se até à Austrália, ainda com datas por confirmar. Mais do que uma celebração do passado, esta agenda funciona como prova de resistência.

E no meio de tudo isto, “Chan Chan” continua a surgir. Sempre igual. Sempre diferente. Como se ainda estivesse a ser descoberta pela primeira vez.

DATAS:

  • APR 3 – Ankara, TR
  • JUN 13 – Toulouse, FR
  • JUL 9 – Vienne, FR
  • JUL 30 – Freiburg, DE
  • AUG 9 – Gijón, ESP
  • SEP 5 – Zaragoza, ESP
  • OCT 11 – Cardiff, UK
  • DEC (TBC) – Sydney, AU
  • DEC (TBC) – Melbourne, AU
  • DEC (TBC) – Brisbane, AU

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