Cat Power traz “The Greatest” a Lisboa e transforma o Misty Fest 2026 numa celebração rara

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Há discos que não envelhecem, apenas ganham novas camadas com o tempo. Em novembro, um desses trabalhos volta a respirar em palco, inteiro, sem atalhos, numa cidade que tem acompanhado de perto cada capítulo dessa história.

O regresso de Cat Power a Portugal está marcado para 13 de novembro, no Sagres Campo Pequeno, integrado no Misty Fest. O motivo não é qualquer um. A artista celebra os 20 anos de The Greatest, um disco que mudou o rumo da sua carreira e que agora será tocado na íntegra, ao vivo.

Um disco que redefiniu tudo

Gravado em Memphis, nos lendários Ardent Studios, The Greatest marcou uma viragem clara no percurso de Chan Marshall. Até aí associada a uma crueza lo-fi e emocionalmente exposta, encontrou neste álbum uma nova forma de contenção. Mais soul, mais espaço, mais silêncio entre notas.

Essa mudança não foi apenas estética. Foi estrutural. O disco trouxe uma confiança diferente, uma voz que já não precisava de se esconder na fragilidade para ser intensa. E talvez seja por isso que continua a soar atual, quase fora do tempo.

Memphis, músicos e uma química irrepetível

Parte essencial dessa identidade vem dos músicos que participaram na gravação original. Elementos da cena soul de Memphis ajudaram a construir uma base quente e orgânica que elevou as canções a outro nível.

Duas décadas depois, essa ligação regressa ao palco com os Dirty Delta Blues. Judah Bauer na guitarra, Gregg Foreman nas teclas, Erik Paparozzi no baixo e Jim White na bateria. Não é apenas uma banda de apoio. É a extensão natural do disco, agora recriada ao vivo com a mesma intenção.

Lisboa como ponto de encontro

Existe uma relação construída ao longo dos anos entre Cat Power e o público português. Não é só sobre concertos. É sobre uma certa entrega, quase silenciosa, que acontece na sala.

O Sagres Campo Pequeno oferece o contexto certo para isso. Um espaço grande, mas capaz de criar proximidade quando a música pede contenção. E este repertório pede exatamente isso. Atenção. Escuta. Tempo.

Um concerto que não se repete

Tocar um álbum inteiro não é nostalgia. É uma decisão artística. Implica aceitar o ritmo original, a sequência pensada, as pausas que hoje já não são comuns em concertos mais imediatos.

Neste caso, há também um fator raro. A presença dos músicos ligados à identidade do disco e a revisitação de um momento muito específico da carreira de Cat Power. Não é apenas revisitar o passado. É testá-lo outra vez, em condições diferentes, com outro peso.

Data e bilhetes

O concerto acontece a 13 de novembro, em Lisboa, integrado no Misty Fest 2026.

Os bilhetes ficam disponíveis a partir de 3 de abril, através da Ticketline.

Entre memória e presente, há noites que não parecem repetíveis. Esta é uma delas.

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