Dry Cleaning voltam a observar o mundo em voz baixa no novo disco


Há bandas que não precisam de subir o volume para dizer coisas importantes.

 

 

Os Dry Cleaning regressam com um novo disco e a sensação é conhecida. Tudo continua rápido demais. Informação a mais. Cabeça cheia. Eles continuam a fazer o oposto. Parar um pouco. Olhar com atenção. Apontar o que normalmente passa ao lado.
O som não vira a mesa, mas mexe o suficiente. As guitarras continuam tortas. O baixo segura tudo sem esforço aparente. A bateria não dramatiza. Há mais espaço. Mais silêncio a trabalhar entre notas. Menos ansiedade. Mais insistência. Parece um disco que não quer ganhar ninguém à primeira. Fica ali. Espera.
Florence Shaw continua a não cantar. Continua a dizer coisas. Frases que parecem soltas. Pensamentos interrompidos. Observações pequenas que crescem com o tempo. Não há refrões para agarrar. Não há ideias explicadas até ao fim. As palavras passam. Algumas ficam. Outras voltam mais tarde. Um certo incómodo. Um certo reconhecimento.
Não é um disco que queira explicar o mundo. Não fecha leituras. Não aponta soluções. Mostra fragmentos. Cansaço. Falta de foco. A sensação constante de excesso. Talvez funcione por isso mesmo. Porque não resolve. Limita-se a mostrar.
Em Portugal, o álbum sai pela 4AD e chega às lojas através da Popstock! Portugal. Um percurso discreto. Independente. Fora do barulho promocional. Faz sentido. Estes discos sempre circularam assim por cá. Sem pressa. Sem alarido. Mas presentes.
Os Dry Cleaning não reinventam nada. Afinam. Ajustam. Continuam. Às vezes isso chega. No fim fica qualquer coisa no ar. Como se ainda houvesse algo por dizer. Mas não agora. Talvez depois.