Escrever sobre música de forma independente parece romântico. Às vezes até é. Mas quase nunca é simples. Há escolhas todos os dias. O que entra. O que fica de fora. O que merece tempo. E o tempo… é sempre mais curto do que devia.

O Musicatotal nasceu dessa vontade de fazer diferente. Sem correr atrás de cliques fáceis. Sem copiar comunicados e fingir que é jornalismo. Só que essa escolha tem um lado menos bonito. Avançar sem rede. Sem garantias. Sem estrutura por trás a pagar as contas no fim do mês.
Por trás de cada artigo há coisas que ninguém vê. Horas. Revisões. Dúvidas. Custos técnicos. Domínio. Alojamento. Ferramentas. Pequenas despesas que vão somando. E somam mesmo. Não desaparecem só porque o projeto é independente ou porque a música é o centro de tudo.
Um site não vive só de paixão. Vive de contas pagas. Vive de estabilidade mínima para continuar a publicar com regularidade. Para não parar. Para não ficar semanas em silêncio porque simplesmente não dá.
A independência editorial é um valor. Mas não é um modelo financeiro. Não ter uma empresa por trás não elimina despesas. Pelo contrário. Obriga a ainda mais responsabilidade. A assumir quando é preciso dizer isto em voz alta.
E é isso que estamos a fazer agora.
O apoio ao Musicatotal não compra opiniões. Não altera críticas. Não transforma análises em publicidade disfarçada. Quando existe conteúdo apoiado, é identificado. Claro. Sem jogos. A linha editorial continua a ser a mesma. Livre. Às vezes incómoda. Sempre honesta.
Mas para continuar, é preciso sustentação. Não para crescer artificialmente. Não para parecer maior do que é. Só para continuar. Para manter o espaço vivo. Atento. Presente na música que está a acontecer em Portugal.
O resto mantém-se igual. A exigência. O cuidado. A vontade de fazer melhor. Mesmo quando é difícil. Mesmo quando custa mais do que parece.


















