O fado português volta a ganhar tração no circuito internacional num momento em que a exportação cultural deixou de ser episódica para se tornar estrutural.

Foto por Manuel Abelho
Em fevereiro de 2026, essa dinâmica materializa-se numa sequência intensa de concertos que reforça a projeção externa da artista.
A 24 de fevereiro, Paris recebeu o arranque oficial no Le New Morning, perante uma sala praticamente cheia. O início não foi apenas simbólico. Funcionou como sinal claro de consolidação no panorama europeu.
Quatro cidades, quatro palcos
Depois da estreia em França, a rota seguiu para o Muziekgebouw Eindhoven, a 25 de fevereiro, espaço reconhecido pela programação exigente e pela abertura a propostas que cruzam tradição e modernidade.
A 27 de fevereiro, a atuação na De Nieuwe Kerk acrescenta densidade ao percurso, integrando o espetáculo num contexto arquitetónico e cultural de forte identidade.
O ciclo inicial fecha a 28 de fevereiro no Jazz Cafe, onde restam apenas os últimos bilhetes disponíveis. A sequência de quatro concertos consecutivos confirma não apenas procura, mas confiança na capacidade de sustentar intensidade artística noite após noite.
Druga Godba e a afirmação no circuito europeu
A 29 de maio, a artista integra o cartaz do Druga Godba Festival, um dos festivais europeus de referência dedicados à música do mundo e à criação contemporânea.
A presença neste evento reforça o diálogo entre tradição portuguesa e públicos internacionais atentos a linguagens híbridas. Não se trata apenas de representação cultural, mas de integração num circuito que valoriza autenticidade e reinvenção.
WOMAD e o reconhecimento global
Em julho, entre 23 e 26, o nome surge no cartaz do WOMAD Festival, fundado por Peter Gabriel e reconhecido como uma das plataformas internacionais mais prestigiadas dedicadas à diversidade cultural.
A inclusão neste contexto projeta o trabalho da artista para um palco verdadeiramente global, onde convergem propostas musicais de vários continentes.
Clássicos revisitados com nova energia
Um dos elementos marcantes desta digressão é a inclusão de clássicos do repertório português revisitados numa roupagem mais pop. As canções mantêm a essência melódica, mas ganham nova textura, novos arranjos e uma abordagem interpretativa mais expansiva.
A opção não dilui a tradição. Amplia-a. Ao aproximar estes temas de uma estética contemporânea, a artista cria pontes entre memória coletiva e escuta atual, tornando o alinhamento mais acessível a públicos internacionais sem perder identidade.
Esta etapa europeia de 2026 consolida um percurso consistente e ambicioso. O mapa está traçado. A resposta do público acompanha. E o diálogo entre tradição e modernidade continua a ganhar palco fora de portas.
