Karyna Gomes lança “Nô Brinka” com Micas Cabral e reafirma liberdade criativa

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Uma canção que chega como resposta direta ao peso do presente. Num momento em que a realidade parece apertar, Karyna Gomes escolhe leveza, ritmo e memória para contrariar o ambiente. “Nô Brinka” nasce dessa tensão entre o que se vive e o que se deseja viver.

 

O novo single, acompanhado por vídeo, marca mais um passo na fase recente da artista guineense. Depois de “Tufulin”, este tema reforça um caminho mais solto, mais consciente, onde tradição e liberdade não se anulam, antes se empurram uma à outra.

Um encontro familiar com peso simbólico

A presença de Micas Cabral não é apenas um detalhe de casting. É história, ligação direta, herança. O músico dos Tabanka Djaz entra no tema como referência viva, alguém que ajudou a construir o terreno onde Karyna hoje pisa.

Essa ligação familiar traduz-se numa química natural. Não há esforço visível, há fluidez. As vozes encontram-se num registo celebratório, quase cúmplice, como se a música fosse também um gesto íntimo partilhado em público.

Uma canção contra o desalento

“Nô Brinka” assume-se como declaração clara. Mesmo quando tudo aponta para o contrário, a escolha aqui é celebrar. Há uma energia de resistência, mas sem peso, sem dramatização.

A canção não ignora o contexto atual. Pelo contrário, responde-lhe. E fá-lo com alegria, com esperança, com uma espécie de teimosia luminosa. Não é fuga, é posicionamento.

Um disco enraizado e aberto ao mundo

“Kantigas di Liberdadi”, lançado a 13 de fevereiro, funciona como base deste novo momento. Um trabalho orgânico, profundamente ligado à Guiné-Bissau, onde o gumbé e a tina são ponto de partida.

Mas o disco não fica preso à raiz. Há soul, há rumba, há ecos de MPB e até traços de kompa haitiano. Tudo cantado em kriol, numa escolha que aproxima e afirma identidade sem fechar portas ao exterior.

Liberdade como método e destino

A maturidade de Karyna sente-se aqui. Não apenas na voz, mas nas decisões. A presença de nomes como Alana Sinkëy ou Dara Haniel reforça essa abertura e confiança no processo.

“Quero fazer música livremente e sem condicionantes”, diz a cantora. E isso ouve-se. Não como slogan, mas como prática. Cada faixa parece seguir essa lógica de libertação, sem fórmulas nem concessões.

A apresentação ao vivo está marcada para 24 de julho no B.Leza, em Lisboa. Um espaço que encaixa bem nesta fase, próximo, quente, onde a música respira melhor. Os bilhetes ainda não estão disponíveis, mas a expectativa começa a crescer devagar, como quem já sabe que aquela noite pode não ser apenas mais um concerto.

 

 

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