A New Musical Express voltou a cumprir o seu papel de farol cultural ao divulgar a lista dos 50 melhores álbuns de 2025, um retrato abrangente de um ano musical marcado pela ousadia criativa, pela diversidade estética e por uma clara rutura com fórmulas previsíveis.

 

Num panorama cada vez mais dominado por algoritmos, a curadoria editorial da NME mantém se como uma referência crítica essencial para compreender o presente e antecipar o futuro da música.

No topo da lista surge Getting Killed, dos Geese, um disco que confirmou a banda nova iorquina como uma das mais estimulantes do rock contemporâneo. Com uma abordagem caótica mas precisa, o álbum mistura art rock, pós punk e uma escrita nervosa que traduz o mal estar e a energia do nosso tempo. Para a NME, trata se de um trabalho urgente, inquieto e impossível de ignorar.

Em segundo lugar aparece Addison, o álbum de estreia de Addison Rae, uma escolha que gerou debate mas que reflete bem a amplitude de critérios da revista. Longe de ser apenas um produto pop descartável, o disco apresenta uma produção cuidada, referências inteligentes e uma identidade artística surpreendentemente coesa. A NME sublinha a forma como o álbum desafia preconceitos e redefine o conceito de pop mainstream em 2025.

O terceiro lugar pertence a Eusexua, de FKA twigs, um dos trabalhos mais conceptuais do ano. O álbum explora o corpo, o desejo, a tecnologia e a espiritualidade através de uma linguagem sonora que cruza eletrónica experimental, R&B e performance artística. É uma obra densa, sensorial e profundamente autoral, que reforça o estatuto de FKA twigs como uma das criadoras mais visionárias da sua geração.

O Top 10 evidencia a diversidade que marcou o ano. Euro Country, de CMAT, desconstrói o imaginário country com ironia e inteligência europeia. Debí Tirar Más Fotos, de Bad Bunny, confirma o artista como uma figura central da música global, capaz de unir identidade cultural, experimentação pop e impacto comercial. Já Choke Enough, de Oklou, destaca se como um dos discos eletrónicos mais delicados e futuristas de 2025.

Ao longo do Top 50, a NME aposta fortemente em novos talentos e cenas alternativas. Bandas como Maruja, Wednesday e The Last Dinner Party representam uma nova vaga de rock e pós punk que alia energia crua a consciência social. Em paralelo, artistas como Samia, Erika de Casier e Annahstasia mostram que a introspeção e a subtileza continuam a ter um lugar central na música contemporânea.

A presença feminina é particularmente forte nesta edição da lista. Lorde, PinkPantheress, Lily Allen, Ethel Cain e Rosalía surgem com trabalhos que abordam maturidade artística, identidade e reinvenção. Esta representatividade reflete uma mudança estrutural na indústria musical, onde as mulheres ocupam cada vez mais o centro da narrativa criativa.

Outro aspeto relevante é a dimensão global da seleção. Embora o Reino Unido continue a ser um eixo importante, a lista inclui artistas dos Estados Unidos, da América Latina, da Europa continental e da Ásia, reforçando a ideia de que a música de 2025 é cada vez mais transnacional e menos dependente de fronteiras geográficas.

Mais do que um simples ranking, os 50 melhores álbuns de 2025 segundo a New Musical Express funcionam como um documento cultural. É um mapa sonoro de um ano marcado por transformação, risco artístico e novas formas de expressão. Para ouvintes atentos, esta lista é também um convite à descoberta, com muitos destes discos disponíveis nas principais plataformas de streaming.

As melhores canções de 2025 segundo a New Musical Express

Para complementar a sua visão do ano, a NME destacou também as canções que melhor definiram 2025, muitas delas retiradas dos álbuns presentes no Top 50. Entre os temas mais aclamados estão:

  1. Geese – “Taxes”

  2. Addison Rae – “Diet Pepsi”

  3. FKA twigs – “Eusexua”

  4. CMAT – “Stay for Something”

  5. Bad Bunny – “Monaco”

  6. Oklou – “Family and Friends”

  7. PinkPantheress – “Fancy That”

  8. Lorde – “Hammer”

  9. The Last Dinner Party – “Caesar on a TV Screen”

  10. Ethel Cain – “Dust Bowl”

Estas canções representam diferentes abordagens à pop, ao rock, à eletrónica e à música alternativa, funcionando como um resumo sonoro do espírito de 2025. Juntas, álbuns e canções confirmam que a música continua a ser um espaço vital de experimentação, emoção e comentário cultural.