Há discos que não pedem contexto. Entram. Ficam. Alternative Prison é um desses. Trinta anos depois continua a soar inquieto, pouco polido, cheio de arestas

ão ficou preso ao tempo. Ficou atravessado em quem o ouviu quando tudo ainda estava por decidir.

Este regresso não parece uma comemoração clássica. Não há clima de museu nem de homenagem protocolar. Há antes a sensação de coisa inacabada. Como se estas músicas ainda precisassem de ser tocadas outra vez. Em voz alta. Agora.

O peso de um disco que não envelheceu bem no melhor sentido

Os Primitive Reason regressam aos palcos para assinalar trinta anos de um álbum que ajudou a abrir fissuras na música feita em Portugal. Alternative Prison foi mistura, confronto, choque cultural. Não pedia autorização. Nunca pediu.

Revisitá-lo hoje não é um gesto neutro. Há distância, claro. Há memória. Mas também há fricção. O mundo mudou, a cena mudou, mas aquele impulso inicial continua ali. Um disco que não soa limpo nem confortável. Ainda bem.

Porto e Lisboa como pontos de encontro

O reencontro acontece em duas salas que sabem lidar com corpos em movimento. No Porto, a 12 de março, no Hard Club. Em Lisboa, a 13 de março, no LAV.

Não são datas ao acaso. Nem salas neutras. São espaços onde a música vive do contacto direto, do som a bater no peito, da resposta imediata. O sítio certo para um disco que sempre foi mais físico do que decorativo.

Bad Tomato e Hetta não vêm para aquecer

Os Bad Tomato chegam com urgência e suor. Punk e pós punk misturados com grooves que puxam o corpo para a frente. Canções diretas, refrões que ficam, concertos onde nada sobra parado.

Os Hetta operam noutro registo, mais tenso, mais abrasivo. Post hardcore, screamo, noise rock, tudo comprimido numa energia difícil de domesticar. Uma banda que vive do impacto e da insistência. Ao vivo percebe-se melhor. Sempre.

Bilhetes, preços e o que realmente importa

Os últimos bilhetes continuam disponíveis na Ticketline e nos locais habituais. Custo de 25 euros em pré-venda. No dia passam para 30. Informação simples. Sem rodeios.

O resto não se mede em números. Mede-se no que fica depois. No som a ecoar. Na memória a ser reativada. Em quem esteve lá antes. Em quem vai ouvir isto pela primeira vez. E depois o silêncio.