O relatório anual da Mediabase, uma das entidades mais respeitadas na monitorização de airplay radiofónico a nível global, confirma 2025 como um ano marcante para a indústria musical. Os dados revelam um cenário onde a diversidade sonora convive com a hegemonia das grandes editoras, refletindo um mercado cada vez mais competitivo, globalizado e atento às mudanças culturais.

No topo do setor surge a Interscope Capitol, que encerrou o ano com uma expressiva quota de mercado de 22 por cento. Este domínio foi impulsionado por um catálogo forte e estrategicamente diversificado, sustentado por artistas de enorme projeção internacional. Kendrick Lamar voltou a afirmar-se como uma das figuras centrais do hip hop contemporâneo, combinando relevância artística com impacto comercial. Lady Gaga manteve a sua capacidade de reinvenção, enquanto Billie Eilish consolidou o seu estatuto como uma das vozes mais influentes da nova geração. Juntos, estes nomes foram determinantes para a liderança da editora no ranking da Mediabase.
Logo atrás, a Republic Records garantiu 19,8 por cento da quota de mercado, num ano particularmente simbólico para a editora. O grande destaque foi Sabrina Carpenter, que protagonizou um dos maiores fenómenos musicais de 2025. A canção “Espresso” tornou-se a música mais tocada do ano nas rádios monitorizadas pela Mediabase, acumulando milhões de rotações e confirmando a artista como uma das principais forças do pop atual. Este sucesso não só reforçou a posição da Republic Records como evidenciou a importância de apostas consistentes em artistas com forte ligação ao público jovem e presença multiplataforma.
Para além dos líderes de mercado, o relatório sublinha o impacto de outros artistas que ajudaram a definir o som de 2025. Myles Smith destacou-se pela fusão entre pop melódico e sensibilidade alternativa, conquistando audiências em diferentes territórios. Shaboozey trouxe novas abordagens ao cruzar influências do country, hip hop e música urbana, enquanto Benson Boone se afirmou como uma das revelações do pop emocional, com forte presença nas playlists radiofónicas. The Weeknd, já uma figura consolidada, manteve a sua relevância ao equilibrar inovação sonora com uma identidade artística reconhecível.
O equilíbrio entre pop, R&B e sonoridades alternativas é um dos pontos centrais do relatório da Mediabase. Em 2025, as rádios demonstraram maior abertura a estilos híbridos e a artistas que fogem a classificações rígidas, refletindo uma audiência cada vez mais diversa e exigente. Esta tendência confirma que o mainstream já não é sinónimo de uniformidade, mas antes de adaptação constante às mudanças culturais e tecnológicas.
No panorama global, a música latina continuou a afirmar-se como uma força incontornável. Bad Bunny manteve o seu estatuto de superestrela internacional, com vários temas a figurarem entre os mais tocados do ano, enquanto Karol G reforçou a presença feminina no topo dos rankings. O sucesso destes artistas confirma que o espanhol é hoje uma língua central na indústria musical global, com impacto direto nas programações radiofónicas fora da América Latina.
O rock alternativo também teve um ano de destaque, marcado por regressos de peso. Linkin Park voltou a captar a atenção do público, mostrando que o seu legado continua relevante para novas gerações. Os Green Day reafirmaram a sua longevidade, combinando nostalgia com novas produções que encontraram espaço significativo nas rádios. Estes regressos demonstram que, mesmo num mercado dominado pelo pop e pela música urbana, o rock mantém uma base sólida de ouvintes e influência cultural.
Do ponto de vista industrial, o relatório da Mediabase evidencia a força contínua das grandes editoras, mas também a sua capacidade de absorver diversidade. Embora o mercado seja liderado por gigantes como a Interscope Capitol e a Republic Records, o sucesso advém cada vez mais de estratégias que valorizam identidades distintas, narrativas autênticas e alcance global.
Em síntese, 2025 ficará registado como o ano de Sabrina Carpenter e Kendrick Lamar, dois artistas que simbolizam diferentes faces da música contemporânea. Um representa a nova era do pop, imediata e global. O outro continua a redefinir os limites do hip hop enquanto forma de expressão cultural. Juntos, refletem uma indústria que, apesar das estruturas consolidadas, continua a reinventar-se, equilibrando mainstream e diversidade cultural num cenário sonoro em constante evolução.



















