FDE: a empresa que levou grandes eventos internacionais aos Açores faz 30 anos

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FDE é Fábrica de Espectáculos e foi uma das primeiras estruturas a colocar os Açores no mapa dos grandes eventos internacionais. Num território onde tudo parecia mais difícil, conseguiu elevar a produção a outro nível, trazer artistas globais e criar eventos que mudaram a forma como se vive a música ao vivo na região.

Falámos com Paulo Silva, diretor-geral da FDE, um nome diretamente ligado a três décadas de música, festa e transformação nos Açores. Um profissional de excelência que ajudou a construir uma nova escala para os eventos na região, sempre com uma visão prática, mas também ambiciosa.

Muito antes de a palavra “experiência” se tornar tendência, a FDE já pensava os eventos como algo que se vive por dentro. Não era só trazer nomes grandes. Era criar ambiente, trabalhar luz, espaço e detalhe, fazer com que cada evento tivesse identidade própria. E isso acabou por definir uma assinatura reconhecível.

Ao longo dos anos, essa visão traduziu-se em projetos marcantes, na criação de conceitos próprios e na capacidade de adaptar produção a diferentes realidades, dos Açores ao continente e a mercados internacionais. Um percurso que não foi feito de atalhos, mas de consistência.

Trinta anos depois, a sensação não é de chegada, mas de movimento. Porque quando uma estrutura cresce a criar e não apenas a repetir, a pergunta deixa de ser o que já fez e passa a ser o que ainda pode vir a fazer.

Depois de três décadas de atividade, sente que a Fábrica de Espectáculos ainda está em evolução ou já encontrou uma identidade definitiva?
A Fábrica de Espectáculos, ao completar 30 anos de existência, possui já uma identidade sólida e bem definida. No entanto, essa identidade nunca é definitiva, pois está inserida numa sociedade em constante transformação. Ainda assim, a FDE afirma-se como uma empresa que se dedica à produção de momentos únicos e inesquecíveis, pautados pelo requinte e bom gosto.

Nos primeiros anos, quais foram os momentos mais decisivos para afirmar a empresa no setor dos eventos?
A internacionalização da empresa, com produções em Cabo Verde, Angola e Moçambique, em diversas áreas de produção.

Trabalhar a partir dos Açores trouxe limitações ou acabou por ser um fator diferenciador na forma como a FDE se desenvolveu?
A falta de recursos humanos e técnicos numa área tão específica como os eventos e produções musicais contribuiu para uma forma de estar mais resiliente. Consegue-se produzir com mais imaginação e criatividade para atingir uma produção de excelência, o que faz de todos nós uma linha diferenciadora dos padrões normais de produção.

A expansão para mercados como Cabo Verde e Angola mudou a vossa abordagem criativa e operacional?
Foi mais um desafio do que uma abordagem diferente, pois estes países apresentavam um maior empenho do que propriamente nos Açores. Acreditámos e transformámos uma ideia base de produção com uma maior adaptação às necessidades existentes. Foram anos duros, com desafios incríveis, para se conseguir implementar uma produção atrativa e de sucesso.

O que distingue, na sua perspetiva, um evento bem produzido de um evento verdadeiramente memorável?
Mais do que o artista, é a produção do evento. Se conseguirmos associar os dois no mesmo evento, temos um evento memorável.

Projetos como o Azores Green ou produções com artistas internacionais marcaram diferentes fases da empresa. Há algum momento que considere um ponto de viragem?
Percebemos que apenas vender artistas não estava no nosso ADN e começámos a criar eventos com naming próprio. Essa decisão transformou e afirmou a empresa de forma clara.

A criação de conceitos próprios como o PdL White Ocean, RFM Beach Power ou North Wave foi uma estratégia consciente desde o início ou surgiu de forma natural?
Foi evolutivo. Hoje temos armazéns para produzir toda a decoração e material de produção. Conseguimos uma equipa que assegura toda a produção do evento, desde o pré-evento ao pós-evento. Depois evoluímos para uma rede de parceiros de confiança, o que faz toda a diferença.

Até que ponto a componente sensorial e estética se tornou central na identidade da FDE?
Com o início de eventos com a nossa identidade, há cerca de 12 anos, foi dado o maior passo da empresa, mas também o mais certo. Hoje em dia, somos referência não só nos Açores, mas também no Continente português.

O setor dos eventos está hoje mais competitivo e tecnologicamente exigente. O que mudou mais no terreno ao longo dos anos?
Quase tudo. Desde palcos certificados, iluminação e ecrãs de LED de baixo consumo, até som suspenso com alta definição. A preparação, implementação e comunicação dos eventos têm hoje uma exigência muito maior. Produzir hoje em dia exige mais, apesar de ser mais fácil.

A inovação técnica continua a ser uma prioridade. Onde sente que ainda há espaço para surpreender?
Na sustentabilidade do evento, sem dúvida.

A sustentabilidade está cada vez mais presente na indústria. Como é que a FDE está a integrar essa preocupação nos seus projetos?
Desde a comunicação do evento até à sua implementação: copos reutilizáveis, sistemas de luz e LED de baixo consumo, maior aposta em comunicação online e menos em outdoor, e a entrega dos espaços em melhores condições do que aquelas em que foram recebidos.

Quando pensa no futuro da FDE, o foco está mais na internacionalização ou no reforço da presença em Portugal?
Depois de produzirmos nos Coliseus de Lisboa e Porto e no MEO Arena, estamos focados na produção de um novo evento com a nossa marca e registo em Portugal continental.

Que tipo de experiências acredita que vão marcar os próximos anos na área dos eventos e espetáculos?
Estamos perante uma mudança de pensamento desta nova geração, que prefere cuidar do corpo e da mente de forma mais saudável. Para acompanhar esse desafio, os eventos terão de ser mais equilibrados, com mais opções de bebidas e comidas saudáveis, e com horários que comecem e terminem mais cedo.

Depois de um percurso tão consistente, o que ainda o motiva a continuar a criar e arriscar?
Fazer e criar o que ainda não foi feito.

Se tivesse de resumir a filosofia da FDE numa ideia simples, qual seria?
Produzir momentos que ficam

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