Nem sempre estas colaborações fazem sentido no papel. Alexis Taylor e Mike Simonetti parecem vir de salas diferentes, noites diferentes até. Um lado mais melódico, quase delicado. O outro mais gasto, mais sujo, mais virado para texturas que ficam no fundo da cabeça durante horas. E depois aparece “Perfect Kiss” e afinal resulta. Estranhamente bem.
A voz de Alexis Taylor continua ali. Reconhece-se logo. Aquela maneira meio frágil de entrar na música sem pedir licença nenhuma. Mas aqui tudo soa menos limpo do que nos Hot Chip. Menos imediato também. Mike Simonetti deixa a produção respirar, quase tropeçar às vezes. Há pequenos ruídos, espaços vazios, sintetizadores que aparecem só por segundos e desaparecem outra vez.
A música nunca explode realmente. Fica sempre a acumular qualquer coisa. Uma tensão meio cansada. Meio romântica. Como uma faixa ouvida demasiado tarde, quando já não há ninguém acordado e as luzes da rua começam a parecer um filme antigo.
Talvez seja isso que torna “Perfect Kiss” interessante. Não tenta soar grande. Não anda atrás daquele momento perfeito para TikTok ou festival. Parece só duas pessoas a tentar encontrar uma frequência comum no meio do caos eletrônico e sentimental. E honestamente? Funciona mais do que muita coisa feita para funcionar.


