Os Turnstile já deixaram claro há muito tempo que não querem ficar presos ao hardcore tradicional. E talvez seja exatamente isso que continua a tornar a banda tão relevante neste momento.
Nos últimos anos, o grupo norte-americano conseguiu atravessar a barreira da cena underground sem perder totalmente a intensidade que os definiu no início. Uma combinação rara. Quanto maior a exposição, maior costuma ser a diluição. Aqui não aconteceu da mesma forma.
A sonoridade foi abrindo espaço para melodias mais acessíveis, detalhes eletrónicos e estruturas menos rígidas, mas sempre com uma energia física muito própria. Continua a soar urgente.
Ao vivo, a banda mantém uma das presenças mais caóticas e imprevisíveis da atualidade. Há concertos que parecem quase perder controlo a meio, e isso faz parte do impacto.
Também existe uma estética muito consciente na forma como apresentam os projetos. Visual, vídeo, produção, tudo parece pensado para criar identidade sem cair em excesso conceptual.
Esse equilíbrio entre acessibilidade e agressividade é provavelmente o que os separa de muitas bandas da mesma geração.
E fica a ideia de que os Turnstile já não pertencem apenas ao hardcore. Mas também nunca o abandonaram completamente.


