À primeira vista parecem personagens saídas de um filme surrealista. Máscaras gigantes de papel machê, roupas às bolinhas, nomes misteriosos e uma sonoridade que desafia qualquer classificação imediata. Mas basta ouvir “Sherpa” para perceber que Angine de Poitrine não é apenas mais uma excentricidade da internet.
O duo canadiano, oriundo de Saguenay, no Quebeque, é formado por dois músicos conhecidos apenas como Khn de Poitrine e Klek de Poitrine. A banda construiu uma identidade própria através de guitarras microtonais, ritmos irregulares e uma mistura de math rock, rock experimental e elementos quase hipnóticos.
“Sherpa” surgiu em 2024 como um dos primeiros cartões de visita do grupo. A faixa, incluída no álbum Vol.1, tornou-se rapidamente uma peça central do universo sonoro da banda. Com guitarras microtonais, percussão tribal e uma repetição quase ritualística, a música cria uma sensação de viagem constante, como se o ouvinte estivesse a subir uma montanha sem saber exatamente onde termina o percurso.
Nos últimos meses, Angine de Poitrine passou de segredo underground a fenómeno internacional. Um vídeo gravado para a rádio KEXP tornou-se viral e apresentou a banda a milhões de novos ouvintes. A partir daí seguiram-se digressões internacionais, críticas entusiásticas e uma crescente curiosidade em torno destes músicos mascarados.
O mais interessante é que “Sherpa” continua a soar tão estranha como no dia em que foi lançada. Num tempo em que muitos artistas procuram fórmulas previsíveis para agradar aos algoritmos, Angine de Poitrine faz exatamente o contrário. O duo abraça o absurdo, a experimentação e a diferença.
Talvez seja por isso que tanta gente está a prestar atenção. Porque no meio de milhares de lançamentos iguais, “Sherpa” soa como algo que não deveria funcionar. Mas funciona.
E muito.



