Sofia Silva & Code chegam ao North Wave 2026 e mostram um dos nomes açorianos em maior crescimento

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Alguns projetos crescem depressa e desaparecem à mesma velocidade. Outros preferem construir o caminho sem atalhos. É nessa segunda categoria que se encontra SOFIA SILVA & Code, uma banda que tem vindo a consolidar o seu nome através de trabalho contínuo, concertos regulares e uma identidade musical cada vez mais definida.

A voz de Sofia Silva tornou-se conhecida de muitos portugueses durante a sua participação no The Voice Portugal, mas o percurso não terminou quando as câmaras se desligaram. Pelo contrário. Nos últimos anos, a artista açoriana transformou essa exposição inicial numa plataforma para desenvolver um projeto próprio, acompanhado por músicos experientes que ajudaram a dar forma a uma proposta mais ambiciosa e consistente.

Com os singles “FASES” e “OUTRA VEZ”, uma crescente presença nos palcos e uma Tour 2026 que promete levar a banda a novos públicos, Sofia Silva & Code vivem uma fase particularmente importante da sua evolução. A integração de “FASES” na banda sonora da novela Amor à Prova trouxe uma visibilidade adicional, mas o crescimento do projeto vai muito além de um único momento mediático.

Entre a força das raízes açorianas e a vontade de chegar mais longe, a banda continua a afirmar-se como um dos nomes emergentes mais interessantes da nova música produzida nas ilhas. O futuro ainda está a ser escrito, mas os sinais de crescimento são cada vez mais difíceis de ignorar.

O Musicatotal conversou com Sofia Silva para conhecer melhor o percurso, as influências, os desafios e as ambições de uma artista que está a transformar talento em caminho.

Como começou a tua ligação à música dentro da Ribeira Grande e que memórias guardas desses primeiros anos?

A música esteve sempre presente na minha vida, quase como algo instintivo. Desde muito pequenina que me lembro de tocar bateria, de improvisar palcos em casa e de organizar pequenos “concertos” em jantares de família, na Ribeira Grande. Não houve um momento em que tenha decidido gostar de música, simplesmente nasceu comigo. Guardo essas memórias com muito carinho porque eram livres, genuínas e sem qualquer pressão.

Entraste no The Voice Portugal muito nova. O que mudou em ti depois dessa experiência?

O The Voice Portugal mudou-me muito, sobretudo a nível pessoal. Foi a primeira vez que subi a um grande palco, com câmaras, público em estúdio e uma exposição nacional. Aprendi a lidar com o nervosismo, a deixar a vergonha de lado e a confiar mais em mim. Também foi uma grande escola a nível técnico, com vocal coaches e contacto com todo o lado profissional que normalmente não vemos.

Sentiste pressão por começar tão cedo a ser vista por um público nacional?

Sim, senti. A pressão do direto, das expectativas e do julgamento público é real, sobretudo quando somos muito novos. Foi preciso muita coragem para enfrentar tudo isso, mas acabou por ser um processo de crescimento muito importante, que me ajudou a ganhar maturidade e foco.

A tua voz tem uma delicadeza muito própria. Sempre tiveste consciência desse lado mais emocional da tua interpretação?

Não no início. Era algo muito natural, instintivo. Com o tempo, e principalmente depois do The Voice, comecei a perceber que essa delicadeza e essa carga emocional faziam parte da minha identidade enquanto intérprete e aprendi a valorizá-las, em vez de tentar mudá-las.

Como nasceu o projeto SOFIA SILVA & Code e o que encontraste nestes músicos que te fez querer construir uma banda?

Depois de regressar a São Miguel, senti uma grande vontade de criar um projeto de originais. Foi assim que surgiu o SOFIA SILVA & Code, com músicos muito experientes como o Félix Medeiros, o Hugo Medeiros e o Amadeu Medeiros. Encontrei neles não só qualidade musical, mas também compatibilidade humana e uma enorme paixão pelos palcos. Trouxeram-me estrutura, segurança e uma visão muito mais profissional da música.

Hoje sentes-te mais confortável em palco ou em estúdio?

O palco é onde me sinto realmente em casa. Gosto muito do processo de criação em estúdio, mas é em palco que a música ganha outra vida, com a troca de energia com o público e a verdade do momento.

“FASES” acabou por ganhar uma dimensão diferente ao entrar na novela “Amor à Prova”. Como recebeste essa notícia?

Foi uma sensação estranha, mas muito boa. Nunca imaginamos que uma letra tão pessoal possa dar vida a uma história numa novela de televisão. Ver “FASES” integrada na narrativa foi um reconhecimento enorme e uma validação do projeto a nível nacional.

As letras das tuas músicas nascem mais de experiências pessoais ou de observação do que te rodeia?

Nascem de uma mistura dos dois. Muitas letras partem de emoções e experiências minhas, mas também observo muito as pessoas, as histórias à minha volta e as diferentes fases da vida. Escrever é a minha forma de dar sentido a tudo isso.

Existe alguma artista portuguesa que tenha sido importante para aquilo que és hoje musicalmente?

A Sónia Tavares teve um impacto muito grande em mim durante o The Voice. A sua entrega, visão artística e sensibilidade marcaram-me bastante e influenciaram a forma como hoje encaro a música e o palco.

Os Açores continuam a influenciar a tua forma de escrever e de olhar para a música?

Sem dúvida. Os Açores influenciam muito a minha forma de sentir e de escrever. A ligação à natureza, o silêncio e o ritmo mais introspectivo fazem parte da minha identidade artística, mesmo quando estou a viver fora.

A presença no North Wave 2026 parece ser um passo importante. O que esperas sentir quando subires a esse palco?

Espero sentir gratidão e orgulho no caminho percorrido. Vai ser um passo importante, não só para mim, mas para o projeto. Quero viver esse palco com verdade, entrega e consciência de tudo o que foi sendo construído até aqui.

Quando olhas para tudo o que aconteceu desde 2023, qual foi o momento em que percebeste que isto podia deixar de ser apenas um sonho?

Houve vários, mas a entrada de “FASES” na novela e o primeiro grande concerto com a banda, no Festival do Chicharro, foram decisivos. Aí percebi que o sonho estava a ganhar estrutura e podia mesmo transformar-se num caminho real.

 

Ler: Sofia Silva leva o crescimento dos Açores até ao North Wave

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