North Wave Sound 2026 recebe DJ KÉKÉ e a DJ promete energia, nostalgia e surpresas na Ribeira Grande

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O North Wave Sound 2026 continua a reforçar a sua aposta na música e nos talentos ligados aos Açores. Entre os nomes confirmados está DJ KÉKÉ, uma artista que transformou uma festa organizada entre amigas num percurso cada vez mais sólido atrás da cabine. Antes da atuação na Ribeira Grande, a 25 de Julho, conversou com o Musicatotal sobre as origens da sua carreira, a ligação especial às ilhas, a evolução da presença feminina na música eletrónica e aquilo que está a preparar para um dos festivais que mais tem crescido na região.

Como começou a tua ligação ao universo do DJing e qual foi o momento em que percebeste que querias levar este percurso a sério?

Foi tudo muito inesperado. No verão de 2023, eu e um grupo de amigas decidimos organizar uma festa no Raiz, em São Miguel. Estávamos aborrecidas, queríamos uma noite diferente e resolvemos criá-la nós próprias. Escolhemos um tema, fizemos um cartaz, montámos uma playlist no Spotify e pensámos que iam aparecer apenas alguns amigos.

Mas a verdade é que os cartazes começaram a circular, a casa encheu e aquilo que era suposto terminar às duas da manhã acabou por se prolongar até às cinco. Lembro-me de estar nervosa porque nunca tinha feito nada parecido, mas, ao mesmo tempo, estava a divertir-me imenso.

Acho que percebi que havia ali qualquer coisa especial quando, no final da noite, as pessoas começaram a vir falar comigo, a dizer o quanto tinham gostado e a perguntar quando era a próxima. Havia muito entusiasmo e muito carinho, e isso marcou-me. Entretanto, voltaram a convidar-me para tocar e o feedback foi sempre muito positivo.

Quando regressei a Lisboa para terminar o curso de Arquitetura, começaram também a surgir convites para festas de faculdade, bares e outros eventos. A partir daí, tudo aconteceu de forma muito natural. As redes sociais ajudaram a dar visibilidade ao projeto, os vídeos começaram a circular e o passa-palavra fez o resto. O que começou como uma brincadeira entre amigas acabou por se transformar numa paixão e numa aventura que continua até hoje.

O que representa para ti fazer parte do cartaz do North Wave 2026, um festival que continua a crescer nos Açores?

Fiquei mesmo muito feliz quando recebi o convite. É um orgulho enorme poder fazer parte de um festival destes na minha terra, ainda mais numa edição com um cartaz 100% feminino.

Acho muito bonito ver tantas mulheres talentosas reunidas no mesmo palco e poder estar entre elas. Para mim, juntar os Açores, a música e este ambiente de celebração feminina torna tudo ainda mais especial.

Como estás a preparar este espetáculo na Ribeira Grande? O público pode esperar algumas surpresas no alinhamento?

Estou a preparar um set cheio de boa energia e músicas que adoro tocar. O objetivo é simples: ver toda a gente a dançar, a cantar e a divertir-se tanto quanto eu. E sim, vou guardar algumas surpresas para o dia.

 

 

Quando constróis um set para um festival, o que pesa mais: a técnica, a emoção ou a leitura da pista?

A leitura da pista. Podemos preparar muita coisa, mas quem manda verdadeiramente é a energia das pessoas que estão à nossa frente.

Que tipo de energia procuras criar quando assumes o controlo de uma multidão ao ar livre?

Quero que as pessoas se sintam leves, felizes e completamente presentes no momento. Para mim, os melhores sets são aqueles em que o tempo passa a voar.

O North Wave recebe públicos muito diferentes. Isso influencia a seleção musical que preparas para o festival?

Sem dúvida. Gosto muito do desafio de encontrar pontos de ligação entre pessoas com gostos e idades diferentes, sem perder a minha identidade musical.

Quais são os artistas ou produtores que mais têm influenciado o teu trabalho nos últimos tempos?

Tenho várias referências, mas uma das artistas que mais me inspira é a Peggy Gou. Gosto muito da sua música e da sua energia. Admiro a forma como criou um percurso sólido e se manteve fiel a si própria. É uma artista que acompanho há algum tempo e que continua a ser uma grande inspiração para mim enquanto DJ e mulher.

Existe algum tema que nunca falha quando precisas de criar uma ligação imediata com o público?

Se contasse, deixava de ser segredo! Mas adoro aqueles momentos em que basta tocar os primeiros segundos de uma música para ver toda a gente a reagir ao mesmo tempo.

Como tens visto a evolução da presença feminina na música eletrónica e no universo dos DJs?

De forma muito positiva. Há cada vez mais mulheres talentosas a conquistar o seu espaço e a inspirar outras a fazer o mesmo. E festivais como o North Wave mostram bem isso.

Qual foi o concerto ou festival mais marcante da tua carreira até agora e porquê?

Aquela primeira festa no Raiz vai ter sempre um lugar muito especial para mim. Não foi a maior nem a mais mediática, mas foi a que deu origem a tudo o que veio depois. Foi uma noite completamente inesperada, cheia de boa energia, e que acabou por dar origem a esta grande aventura na minha vida.

O que aprendeste sobre ti própria através das experiências vividas atrás da cabine?

Aprendi a confiar mais em mim, a arriscar e a aproveitar as oportunidades quando aparecem. E também a valorizar ainda mais as pessoas que caminham ao meu lado.

Há alguma atuação que consideres um ponto de viragem no teu percurso artístico?

Sim, houve várias atuações importantes ao longo do caminho, sobretudo em Lisboa. Foram festas que me deram visibilidade, me apresentaram a novos públicos e onde senti sempre um enorme carinho por parte das pessoas. Acho que cada uma delas acabou por abrir portas para novas oportunidades e para eventos cada vez maiores. Olhando para trás, foram momentos muito importantes para o meu crescimento como DJ.

Que importância têm os Açores no teu percurso e na tua relação com o público português?

Os Açores são a minha casa e serão sempre o meu sítio preferido no mundo. Nasci e cresci em São Miguel e, apesar de viver em Lisboa há nove anos, levo sempre um bocadinho da ilha comigo.

E depois há os açorianos. É muito engraçado porque, quando encontro açorianos nos eventos, existe logo uma ligação especial. Há sempre alguém que vem dizer que também é de São Miguel, ou de outra ilha, e acabamos por partilhar esse orgulho de sermos açorianos. É uma sensação muito bonita e que me faz sentir em casa, esteja onde estiver.

Para quem ainda não conhece o teu trabalho, como descreverias a identidade musical da DJ KÉKÉ em poucas palavras?

Boa energia, nostalgia na dose certa e muita vontade de pôr toda a gente a dançar.

Quando termina o teu set no North Wave 2026, o que gostarias que o público levasse consigo para casa além da música?

Gostava que levassem uma boa memória. Daquelas noites que mais tarde se recordam com um sorriso. E, se saírem de lá um bocadinho mais felizes do que entraram, missão cumprida.

Bónus: quem são os teus maiores apoiantes?

Sem dúvida, a minha família e os meus amigos, que são a minha equipa. Tenho a sorte de estar rodeada por pessoas que acreditam em mim desde o primeiro dia, que me acompanham sempre que podem e que tornam cada conquista muito mais especial. Pode parecer que estou sozinha na cabine, mas nunca chego lá sozinha.

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