Quem é Omar Souleyman? O cantor sírio que levou a dabke eletrónica aos grandes festivais

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Durante muitos anos, Omar Souleyman foi uma figura conhecida sobretudo em casamentos e celebrações populares da Síria.

 

 

As gravações em cassete circulavam de mão em mão e a sua voz áspera, acompanhada por sintetizadores hipnóticos e ritmos tradicionais, parecia destinada a permanecer dentro das fronteiras do Médio Oriente. O mundo acabou por descobrir outra coisa: um fenómeno capaz de unir tradição e música eletrónica com uma energia quase impossível de replicar.

Da Síria para os grandes festivais

Nascido em Tell Tamer, no nordeste da Síria, Omar Souleyman iniciou a carreira nos anos 90 como cantor de casamentos. Ao longo de décadas gravou centenas de cassetes ao vivo, um método comum na região para documentar atuações populares.

A guerra civil síria acabou por alterar profundamente a sua vida, mas também abriu caminho para uma dimensão internacional. Com o apoio de músicos como Four Tet, o cantor passou dos casamentos para festivais como Glastonbury, Roskilde e Pitchfork Paris, conquistando uma audiência muito para lá do circuito da world music.

Quando a tradição encontra a pista de dança

A música de Omar Souleyman assenta na dabke, um género tradicional do Levante, mas incorpora batidas eletrónicas pulsantes e sintetizadores que aproximam o seu som da techno e da música de dança contemporânea.

Álbuns como Wenu Wenu, Bahdeni Nami, To Syria, With Love, Shlon e Erbil consolidaram a reputação de um artista que consegue preservar a identidade cultural sem cair na nostalgia. O resultado é uma música festiva, repetitiva e quase hipnótica, capaz de fazer sentido tanto numa aldeia síria como num festival europeu.

Uma influência que ultrapassa fronteiras

Ao longo dos últimos anos, Omar Souleyman colaborou com nomes como Björk, Four Tet e Gorillaz, demonstrando que a sua linguagem musical continua aberta ao cruzamento de culturas e géneros. O seu percurso tornou-se também um símbolo de resistência cultural num contexto marcado pelo exílio e pela instabilidade política.

Porque continua a soar tão atual

Poucos artistas conseguem criar uma ponte tão natural entre tradição popular e música eletrónica contemporânea. Em tempos em que a globalização musical tende a uniformizar sonoridades, Omar Souleyman continua a lembrar que a identidade local pode ser uma fonte inesgotável de inovação.

Talvez seja essa a razão pela qual os seus concertos continuam a parecer uma festa comunitária gigantesca, independentemente do país ou da língua. E quando os sintetizadores começam a acelerar, a sensação é a mesma: não importa de onde se vem, porque durante alguns minutos toda a gente parece estar a dançar no mesmo casamento.

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