A energia da timba cubana vai tomar conta do LAV – Lisboa ao Vivo no próximo dia 17 de julho com a chegada de Alain Pérez e da sua orquestra.

O músico apresenta em Portugal o espetáculo ¡Bingo!, projeto recente que cruza salsa, son cubano, jazz, flamenco e improvisação latina numa atuação que promete transformar a sala lisboeta numa verdadeira celebração coletiva.
Muito mais do que um simples concerto tropical, a passagem de Alain Pérez por Lisboa surge como encontro direto com um dos músicos mais respeitados da atualidade dentro da música cubana contemporânea. Um artista que conseguiu unir virtuosismo técnico, tradição popular e linguagem moderna sem perder identidade nem espontaneidade.
“¡Bingo!” leva a música cubana para territórios mais livres
O novo projeto de Alain Pérez nasce precisamente dessa ideia de liberdade artística. ¡Bingo! funciona quase como manifesto musical onde convivem timba, salsa, jazz e flamenco sem barreiras rígidas entre estilos.
O disco acabou por receber nomeação para Melhor Álbum Tropical Contemporâneo nos Latin Grammy e garantiu também ao músico a sua primeira nomeação para os Grammy norte-americanos, colocando-o lado a lado com nomes históricos como Gloria Estefan e Rubén Blades.
Mas talvez a maior força de Alain Pérez continue a surgir ao vivo. As suas atuações raramente funcionam como reprodução exata de um álbum. Tudo parece mover-se através da improvisação, da energia rítmica e da comunicação direta entre músicos e público.
De Irakere a Paco de Lucía: um percurso raro na música latina
A carreira de Alain Pérez atravessa algumas das figuras mais importantes da música latina das últimas décadas. Ainda jovem, o músico integrou os históricos Irakere ao lado de Chucho Valdés, experiência que ajudou a consolidar a sua reputação internacional.
Mais tarde assumiu funções de arranjador e diretor musical da orquestra de Isaac Delgado, antes de integrar durante vários anos a banda de Paco de Lucía como baixista.
Ao longo do percurso, colaborou ainda com artistas como Celia Cruz, Chick Corea, Wynton Marsalis e Paquito D’Rivera.
Poucos músicos contemporâneos conseguem reunir uma lista tão diversa de colaborações mantendo ao mesmo tempo uma assinatura artística tão reconhecível.
Lisboa recebe um espetáculo pensado para corpo e improvisação
A passagem por Lisboa integra a atual La Fiesta Tour, uma digressão que reforça o lado mais físico, festivo e espontâneo da música de Alain Pérez. O concerto deverá incluir temas inéditos, momentos de improvisação e longas secções rítmicas onde salsa, jazz e música cubana tradicional se cruzam constantemente.
Além da voz e da composição, Alain Pérez destaca-se também como multi-instrumentista, dominando baixo, piano e violão clássico com uma naturalidade rara dentro da música latina contemporânea.
No palco, essa versatilidade transforma-se numa atuação imprevisível. Não apenas tecnicamente impressionante. Viva.
A música tropical continua a reinventar-se fora dos clichés
O percurso de Alain Pérez ajuda também a desmontar uma ideia simplista muitas vezes associada à música tropical. O seu trabalho demonstra como géneros como salsa, son ou timba continuam em permanente evolução, absorvendo jazz, flamenco e linguagens modernas sem perder profundidade cultural.
Num momento em que muita da música latina global se aproxima de fórmulas mais previsíveis, Alain Pérez continua a apostar na complexidade rítmica, na improvisação e na tradição viva. E talvez seja exatamente isso que torna este concerto em Lisboa tão raro hoje em dia.

