Treze anos de silêncio são uma eternidade no mundo da música eletrónica. Durante esse tempo, gerações inteiras descobriram o legado dos Boards of Canada através de discos como Music Has the Right to Children, Geogaddi e Tomorrow’s Harvest. Agora, a dupla escocesa regressa finalmente com Inferno, um dos lançamentos mais aguardados de 2026.

Um regresso envolto em mistério
Fiel à sua identidade, o regresso foi preparado através de uma campanha enigmática. Fitas VHS enviadas a fãs, cartazes misteriosos espalhados por várias cidades e pistas escondidas online alimentaram semanas de especulação antes da confirmação oficial do álbum.
A expectativa era enorme. Não apenas porque passaram treze anos desde o último álbum, mas porque os Boards of Canada continuam a ocupar um espaço único na música eletrónica. O seu som permanece inconfundível: sintetizadores analógicos, texturas desgastadas, memórias distorcidas e uma sensação permanente de nostalgia por algo que talvez nunca tenha existido.
O som de Inferno
Ao longo de 18 faixas e cerca de 70 minutos, Inferno expande a linguagem sonora da dupla sem abandonar as suas marcas registadas. Ecos ambientais, batidas lentas, vozes processadas e referências científicas, espirituais e esotéricas cruzam-se num disco que parece funcionar como uma viagem contínua através de diferentes estados de consciência.
Temas como “Prophecy At 1420 MHz”, “Father And Son”, “Memory Death” ou “The Word Becomes Flesh” mostram uma abordagem cinematográfica e contemplativa que recompensa audições repetidas. É um álbum para ouvir com tempo, preferencialmente de início ao fim.
Porque merece ser o Álbum da Semana
Poucos regressos conseguem gerar consenso entre fãs de ambient, IDM, downtempo e eletrónica alternativa. Inferno conseguiu-o. Mesmo entre críticas mais divididas, existe reconhecimento da ambição artística e da capacidade dos Boards of Canada para criar universos sonoros que nenhum outro projeto consegue replicar.
Num ano recheado de lançamentos eletrónicos, Inferno destaca-se não apenas pelo peso histórico do nome que o assina, mas pela sensação rara de acontecimento cultural. Não é apenas um novo disco. É o regresso de uma das bandas mais influentes e misteriosas da música eletrónica moderna.
Classificação Musicatotal: 9/10
Um regresso hipnótico, denso e fascinante que confirma porque os Boards of Canada continuam a ser uma referência incontornável da eletrónica contemporânea.



