Quando editou LIVRE, em fevereiro, Alex D’Alva assinalou um regresso às edições em nome próprio. Quatro meses depois, esse universo continua longe de estar fechado. O músico português apresenta agora Instrumental de LIVRE, um novo EP disponível desde esta terça-feira, 24 de junho, que revisita o álbum através das suas estruturas sonoras e da dimensão da produção musical.

Mais do que uma simples versão sem voz, o novo lançamento funciona como uma oportunidade para observar o disco a partir de outro ângulo. É também uma forma de sublinhar um marco importante no percurso do artista: a estreia de Alex D’Alva enquanto produtor do seu próprio trabalho autoral.
Um novo olhar sobre “LIVRE”
O EP instrumental prolonga a vida de um disco construído de forma profundamente colaborativa. Em LIVRE, Alex D’Alva reuniu um conjunto de vozes e sensibilidades que incluíram Choro, MALLINA, Sónia Trópicos, Ecstasya, Haydenmakesmusic, Ianina Khmelick, Máximo Francisco, Gisela Mabel, Tota, Rita Onofre e INÊS APENAS.
Ao retirar as vozes do primeiro plano, as composições ganham outra respiração e deixam sobressair detalhes de arranjos e texturas que, muitas vezes, passam despercebidos numa primeira audição.
É também um disco que revela uma faceta menos evidente do artista. A produção assume um papel central e ajuda a perceber melhor a linguagem musical que tem vindo a construir nesta nova fase.
Vila Viçosa recebe um encontro entre eletrónica e tradição
No próximo dia 27 de junho, Alex D’Alva participa numa das propostas mais curiosas do verão. O Largo de São João, em Vila Viçosa, acolhe o espetáculo “DJ Set Filarmónico”, desenvolvido em parceria com o maestro Martim Sousa Tavares e a Sociedade Filarmónica União Calipolense.
Integrado no projeto Sons do Mármore, com curadoria da ZET Gallery, o espetáculo procura aproximar a eletrónica da tradição filarmónica, criando um diálogo entre diferentes linguagens musicais e valorizando a identidade cultural da região.
A entrada é livre e a noite termina com um DJ set do próprio músico.
Música, pensamento e novas conversas
No dia seguinte, 28 de junho, Alex D’Alva estará na Albuquerque Foundation, em Sintra, para uma conversa com Grada Kilomba. O encontro decorre em torno da exposição O Fundo do Mundo e propõe uma reflexão sobre memória, história e as possibilidades da arte enquanto ferramenta para imaginar outras narrativas.
Esta dimensão interdisciplinar tem sido uma constante no percurso recente do artista, que se movimenta cada vez mais entre a música, a performance e o pensamento crítico.
Essa abertura a diferentes linguagens tornou-se uma das características mais interessantes da sua obra nos últimos anos.
O verão continua em movimento
A digressão de LIVRE prossegue em julho com uma passagem pelo Jardim de Verão da Fundação Gulbenkian. Com curadoria de Dino D’Santiago, o evento recebe Alex D’Alva no dia 4 de julho, às 17h00, para aquele que será o primeiro concerto do álbum em formato banda.
O espetáculo, de entrada livre, assinala mais um momento importante numa fase que continua em expansão. E, pelo que já foi anunciado, os próximos meses deverão trazer novos concertos e DJ sets por todo o país.
Porque LIVRE pode ter sido lançado em fevereiro, mas continua a mostrar que ainda há muito para descobrir dentro dele.



