O álbum que Inesh Bueno vai levar ao palco da Criarte, em Carcavelos, a 23 de outubro, começou a ser escrito anos antes de chegar às plataformas. Pelo caminho, o projeto foi interrompido, as canções ficaram guardadas e a artista precisou de reencontrar a música. Um ano depois da edição de “My Song By The River”, essas mesmas canções regressam ao palco.
Alguns discos começam no momento em que são gravados. My Song By The River começou muito antes.
As sete canções que compõem o álbum de estreia de Inesh Bueno foram sendo escritas durante diferentes momentos da vida da artista. O projeto começou por estar pensado como um EP, mas acabou interrompido durante um período particularmente difícil. Só em 2024, depois de um processo de recuperação pessoal e de reencontro com a música, Inesh voltou a essas canções.
Desta vez, não eram apenas um conjunto de temas que tinham ficado para trás. Havia ali um álbum.
My Song By The River chegou às plataformas digitais a 24 de outubro de 2025. Quase um ano depois, a artista regressa à Criarte para o apresentar novamente ao vivo, numa noite que contará também com Prisão Platão e Beach Wreck.
Quando as canções ficam à espera
O percurso de My Song By The River ajuda a perceber a natureza do disco.
As canções atravessam identidade, pertença, trauma, esperança e resiliência. Inesh Bueno escreve em inglês e espanhol e move-se entre o rock alternativo, o pop, o blues e referências mais pesadas, sem procurar encaixar necessariamente tudo numa única etiqueta.
Mas a sonoridade é apenas uma parte da história.
O disco nasceu de experiências pessoais que precisaram de tempo para ganhar distância. Quando o projeto foi interrompido, as canções não desapareceram. Ficaram à espera de outro momento.
O regresso aconteceu em 2024. Recuperar aquelas composições significou também voltar a uma fase da vida que já podia ser observada de outro lugar.
“Este projeto nasceu do sonho de cantar e partilhar a palavra. Encontrei na música o meu refúgio, um lugar onde a vulnerabilidade pode existir sem medo”, explica Inesh Bueno.
É uma frase que ajuda a perceber porque é que My Song By The River não funciona apenas como cartão de apresentação de uma artista. O álbum resulta de uma relação reconstruída com a própria música.
Um disco entre o inglês, o espanhol e a memória
Ao longo das sete faixas, Inesh Bueno cruza idiomas e diferentes estados emocionais.
A identidade aparece como uma questão musical e pessoal. A pertença também. As atmosferas mais introspectivas convivem com uma abordagem de rock alternativo onde a voz assume diferentes intensidades.
No final do álbum surge “Luna En 100 Años”, dedicada ao avô da artista por ocasião do seu centésimo aniversário.
É um dos detalhes que melhor revela a dimensão pessoal do disco. Depois de atravessar temas como trauma, identidade e recuperação, o álbum encontra na memória familiar uma das suas imagens mais fortes.
A canção não aparece apenas como uma homenagem isolada. Dentro da narrativa do disco, acrescenta uma outra relação com o tempo: aquilo que recebemos, aquilo que recordamos e aquilo que permanece.
Um ano entre o disco e o palco
Desde o lançamento de My Song By The River, Inesh Bueno apresentou o trabalho em diferentes pontos do país e levou também a sua música até Espanha.
Esse percurso alterou inevitavelmente a relação com as canções.
No disco, a música vive sobretudo das atmosferas, da intimidade e da dimensão emocional. Em palco, esses elementos ganham corpo através das guitarras, da dinâmica da banda e da interpretação vocal.
O concerto de 23 de outubro surge, por isso, num momento diferente daquele em que o álbum chegou ao público. Já existe um ano de distância, mais experiência de palco e outras histórias acumuladas desde a estreia.
A Criarte será o ponto de encontro entre essas duas fases.
Prisão Platão, Beach Wreck e Inesh Bueno
A noite começa às 21h00 com Prisão Platão, banda lisboeta que explora o rock alternativo através do experimentalismo, da teatralidade e do storytelling.
Às 21h40, sobem ao palco os Beach Wreck, projeto da zona do Barreiro e da Moita ligado ao rock de garagem e a uma abordagem marcada pela energia e pela diversidade de influências.
Às 22h20, chega o momento de Inesh Bueno.
Serão cerca de 70 minutos dedicados ao universo de My Song By The River, permitindo ouvir novamente as canções que começaram a ser escritas muito antes de terem um público e que acabaram por se transformar no primeiro álbum da artista.
Um ano depois, o disco já não é apenas aquilo que foi escrito durante um período difícil. É também aquilo que aconteceu depois dele.
DATA, LOCAL E HORÁRIOS
23 de outubro de 2026
CRIARTE
Rua João da Silva, 4
2775-586, Carcavelos
21h00 – Prisão Platão
21h40 – Beach Wreck
22h20 – Inesh Bueno
