Se achavas que ias ficar quieto depois de carregar no play, pensa outra vez. “Beijo de Funaná” de Nemanus não pede autorização nem avisa ao que vem. Entra, instala-se e quando dás por isso já estás a abanar o pé com cara de quem diz “não era suposto”.

Há ali qualquer coisa meio maroto, meio inevitável. Começa no ouvido, desce pelo corpo e pronto. Já foste. E ainda tentas disfarçar.
Um tema que vive da energia
O primeiro impacto é físico. Batida rápida, acordeão a puxar tradição e uma base moderna a dar-lhe outra leitura. Não é nostalgia. É aquele truque clássico de pegar no que já funciona e dar-lhe uma volta que ninguém pediu, mas toda a gente aceita.
“Beijo de Funaná” não complica. Nem precisa. É festa, calor, proximidade. Aquela música que aparece e de repente já está toda a gente mais solta, mesmo quem jurava que só ia “ouvir uma”.
E sim, parece simples. Mas não é assim tão inocente.
Entre tradição e pista moderna
O funaná já nasce com urgência. Ritmo acelerado, quase nervoso, impossível de ignorar. Aqui mantém-se isso tudo, mas com aquele toque moderno que faz o tema circular sem esforço.
Nemanus percebe o jogo. Não mexe demasiado para não estragar, mas mexe o suficiente para atualizar. É tipo mexer numa receita da avó e, por milagre, ninguém se queixa.
E isso tem mérito.
O lado divertido que prende
Há uma leveza aqui que não tenta parecer profunda. E ainda bem. Porque funciona exatamente por não se levar demasiado a sério.
O “beijo” entra como conceito simples, direto, quase provocador na medida certa. Nada complicado. Nada filosófico. Só eficaz.
E no meio disso tudo, há aquele momento em que percebes que a música já te ganhou. Sem drama. Sem aviso.
Um som que pede palco
“Beijo de Funaná” não foi feito para ficar parado numa playlist esquecida. Isto pede gente, calor, espaço e algum caos controlado.
Funciona em todo o lado, mas ao vivo é outra história. Mais barulho, mais corpo, menos vergonha.
E fica aquela sensação. Este tipo de música não se explica muito. Sente-se, aceita-se… e quando pega, dificilmente larga. E depois vem aquela realização meio irónica, meio rendida. Pronto. Caiu. Já está. Pimba assumido, sem pedir desculpa

