1965 foi um ano de ruptura. No meio da década em que o folk dominava parte da música de protesto americana, Bob Dylan decidiu virar a mesa. Pegou numa guitarra elétrica, chamou músicos de estúdio e gravou um álbum que mudou o rumo da música popular. Highway 61 Revisited nasceu nesse momento de tensão cultural e acabou por se tornar um dos discos mais influentes do século XX.
O álbum chegou a 30 de agosto de 1965 e trouxe consigo uma energia nova. Letras densas, imagens quase cinematográficas e um som mais cru, mais direto. O folk já não era o mesmo. O rock também não.
O momento em que Dylan mudou de pele
Meses antes do lançamento do álbum, Dylan já tinha causado polémica ao aparecer com banda elétrica no Newport Folk Festival. Para muitos puristas do folk, aquilo parecia uma traição. Para outros, era simplesmente o início de uma nova fase criativa.
Highway 61 Revisited consolidou essa transformação. O disco mistura blues elétrico, rock e folk num formato que parecia completamente novo na altura. A estrada do título não é apenas uma referência geográfica. A Highway 61 atravessa o coração da América e funciona quase como metáfora para a história cultural do país.
Canções que reescreveram o formato do rock
Logo na abertura aparece Like a Rolling Stone, talvez a canção mais emblemática da carreira de Dylan. Com mais de seis minutos de duração, algo raro para a rádio da época, a música abriu espaço para uma nova liberdade narrativa no rock.
Outras faixas reforçam essa abordagem literária. Ballad of a Thin Man mergulha num ambiente quase surreal, enquanto Desolation Row encerra o álbum com uma sequência de imagens e personagens que parecem saídas de um romance fragmentado. Dylan escreve como quem observa o mundo a partir da margem.
Um som cru e elétrico
Grande parte da força do disco vem da banda que acompanha Dylan. Entre os músicos estava o guitarrista Mike Bloomfield, cuja abordagem blues ajudou a definir o tom do álbum. O resultado é um som direto, muitas vezes áspero, mas cheio de intensidade.
O órgão de Al Kooper, especialmente em Like a Rolling Stone, tornou-se um detalhe sonoro inesquecível. Pequenos acidentes de estúdio acabaram por definir o caráter do disco. Nada soa demasiado polido. E talvez seja exatamente essa imperfeição que o mantém vivo.
Um disco que continua a ecoar
Décadas depois do lançamento, Highway 61 Revisited continua a aparecer nas listas de melhores álbuns de sempre. Não apenas pelo impacto histórico, mas pela forma como as canções ainda parecem inquietas, provocadoras e abertas a novas leituras.
A estrada que dá nome ao disco continua ali. Longa, poeirenta, cheia de histórias. Dylan apenas apontou a direção. O resto da viagem continua a ser feito por quem decide escutar o álbum até ao fim.

