Um dos discos mais singulares da música popular brasileira regressa agora ao palco com o próprio criador.
Gravado em 1995 num formato simples, apenas voz e violão, “Aos Vivos” revelou um compositor com identidade própria e abriu caminho para uma carreira que atravessou gerações.
Trinta anos depois, Chico César revisita esse álbum numa digressão comemorativa que passa por Ponta Delgada. O concerto está marcado para 14 de março, às 21h30, e promete um reencontro íntimo com canções que marcaram profundamente o repertório da música brasileira contemporânea.
Um início improvável que se tornou clássico
Quando surgiu em maio de 1995, “Aos Vivos” não seguia a lógica habitual da indústria musical. Em vez de um álbum de estúdio cuidadosamente produzido, Chico César apresentou um registo cru e direto, captado ao vivo apenas com voz e violão.
A aposta revelou-se certeira. O disco conquistou rapidamente crítica e público, transformando-se numa referência da música brasileira dos anos 90. Canções como “Mama África” e “À Primeira Vista” ganharam dimensão popular e continuam até hoje a fazer parte da memória coletiva.
Canções que atravessaram gerações
A digressão comemorativa recupera o espírito desse primeiro registo. O alinhamento inclui temas fundamentais do disco, começando com “Beradêro”, o aboio que abre o álbum e que se tornou um dos momentos mais emblemáticos da carreira do artista.
Ao longo do concerto surgem também outras composições marcantes como “Saharienne”, “Mulher Eu Sei” e vários clássicos do repertório de Chico César. O formato mantém a proximidade original, privilegiando a palavra e a força das melodias.
Uma noite especial nos Açores
A passagem por Ponta Delgada insere-se nesta celebração de três décadas de um disco que continua a soar atual. A simplicidade do formato revela a essência das canções e aproxima o público da escrita sensível que sempre caracterizou o compositor paraibano.
Trinta anos depois, “Aos Vivos” mantém a mesma frescura e intensidade. E quando essas músicas regressam ao palco, voltam também as histórias, as emoções e o encontro direto entre artista e público.
Um regresso às origens da canção
Mais do que uma celebração nostálgica, este concerto funciona como um reencontro com a essência da canção popular. Voz, violão e histórias que continuam a encontrar eco em diferentes gerações.
Em Ponta Delgada, a noite promete ser precisamente isso. Um momento raro em que um disco histórico volta a respirar diante do público, como se tivesse sido gravado ontem.


