Abandono Vigiado, da autoria de Alexandre O’Neill, é uma obra emblemática da poesia portuguesa contemporânea, publicada originalmente em 1969.

O’Neill, figura central do movimento surrealista em Portugal, apresenta neste livro uma escrita marcada pela ironia, desencanto e uma profunda reflexão sobre a condição humana.
Temas e estilo
O’Neill explora, ao longo dos poemas, o sentimento de alienação e a constante vigilância social e interior. O “abandono” do título não é apenas físico, mas sobretudo existencial: o sujeito poético sente-se permanentemente observado, incapaz de se libertar das amarras da sociedade, da memória e do próprio eu. Esta tensão entre o desejo de evasão e a impossibilidade de fuga é um dos traços mais marcantes do livro.
O estilo de O’Neill é inconfundível: versos livres, linguagem coloquial, jogos de palavras e um humor subtil que, por vezes, se transforma em sarcasmo. A sua poesia é simultaneamente acessível e complexa, convidando o leitor a múltiplas leituras e interpretações.
Impacto e relevância
Abandono Vigiado é considerado um dos pontos altos da obra de O’Neill, refletindo o desencanto de uma geração e a crítica mordaz à sociedade portuguesa do seu tempo. A atualidade dos temas — a solidão, o controlo social, a busca de sentido — mantém o livro relevante para leitores contemporâneos.
Considerações
Ler Abandono Vigiado é mergulhar num universo onde o quotidiano se cruza com o absurdo, onde a ironia serve de escudo contra a angústia e onde a poesia se afirma como espaço de resistência e liberdade. É uma obra recomendada para quem aprecia poesia que desafia, inquieta e provoca reflexão.


















