Quem não se lembra de “The Sound of Silence”, de Simon & Garfunkel?
Vivemos rodeados de informação, mas nem sempre de compreensão. Rodeados de palavras. Conversamos, escrevemos, enviamos mensagens, reagimos, respondemos. Nunca tivemos tantas formas de comunicar, nem tanta facilidade em chegar a alguém, esteja onde estiver.
E, no entanto, nunca houve tanto ruído à nossa volta.
Tantas vozes. Tantas opiniões. Tanta coisa para dizer.
Mas será que ainda conseguimos escutar?
A comunicação não é algo que possamos fazer sozinhos. Nem mesmo quando falamos connosco próprios. Porque, de alguma forma, alguém dentro de nós tem de estar disponível para escutar os nossos pensamentos. A nossa consciência, talvez. Ou outro nome que lhe queiram dar.
E, para nos comunicarmos com os outros, temos de aprender a escutá-los. Parece simples. Não, não é.
Escutar exige presença. Disponibilidade. Vontade de compreender. E nem sempre estamos disponíveis. Muitas vezes estamos apenas à espera da nossa vez de falar. Outras vezes ouvimos já a preparar a resposta. E outras ainda, ouvimos apenas aquilo que confirma o que já pensávamos.
Depois queremos que os relacionamentos corram bem. Não importa quais. Todos.
A comunicação é um dos pilares de qualquer relação. Principalmente das mais próximas. Das mais íntimas. E, tantas vezes, só quando alguma coisa se quebra nos perguntamos: como chegámos até aqui?
Escutar exige muito mais do que ouvir palavras. Exige disponibilidade para compreender aquilo que o outro tenta dizer e, tantas vezes, também aquilo que não consegue dizer.
Então, porque não aprendermos também a fazer silêncio?
Parar.
Escutar.
Talvez alguns silêncios, no meio das conversas mais ruidosas, sejam precisamente aquilo de que precisamos.
Porque também existem silêncios que nascem quando falamos sem sermos compreendidos. Quando ouvimos sem escutar. Quando deixamos de tentar chegar verdadeiramente uns aos outros.
E talvez The Sound of Silence nos deixe precisamente essa inquietação:
De que servem tantas palavras, se deixarmos de nos encontrar através delas?
Comunicar é como abraçar.
Tocar o outro.
Cuidar.
Texto de Anabela Da Rocha
