Quarta-feira, 15 de Julho de 2026
Editorial

Johnny Marr leva a leilão as guitarras que ajudaram a escrever a história dos The Smiths

Por Mafalda Matos 15 Jul 2026

Durante mais de quatro décadas, estes instrumentos acompanharam gravações que marcaram a música britânica, passaram pelos maiores palcos do mundo e deram origem a canções que continuam a influenciar guitarristas de várias gerações.

Em setembro, uma parte desse legado ficará disponível para colecionadores e fãs num dos leilões de memorabilia musical mais relevantes dos últimos anos.

Só no segundo parágrafo surge a informação principal da notícia.

Johnny Marr vai colocar à venda cerca de 80 guitarras da sua coleção pessoal através da Christie’s, uma das mais antigas e prestigiadas casas de leilões do mundo, fundada em Londres em 1766. A venda, marcada para 17 de setembro, reúne instrumentos utilizados ao longo de mais de cinquenta anos de carreira, desde os tempos dos The Smiths até aos projetos a solo e às colaborações com artistas como Electronic, The Pretenders, Modest Mouse, Oasis, Beck, Hans Zimmer, Gorillaz e Billie Eilish.

Uma coleção construída nota a nota

O leilão, intitulado Marr’s Guitars: The Johnny Marr Collection, apresenta cerca de 95 lotes entre guitarras, amplificadores e equipamento de estúdio. Mais do que uma coleção de instrumentos, representa uma cronologia da evolução artística de um músico que redefiniu a forma de tocar guitarra no rock alternativo.

Algumas destas guitarras continuam em utilização e participaram inclusivamente nas gravações de The Age Of Everything, o novo álbum de Johnny Marr, com lançamento previsto para outubro.

Poucos músicos decidem colocar no mercado instrumentos tão diretamente ligados à criação de discos considerados essenciais na história da música britânica, tornando este leilão um acontecimento raro para colecionadores e admiradores da sua obra.

Os instrumentos por detrás dos grandes clássicos

Entre as peças mais valiosas destaca-se a Rickenbacker 330 Jetglo de 1982, eternamente associada ao som cristalino dos primeiros discos dos The Smiths. Foi com ela que nasceram temas como This Charming Man, Still Ill, Accept Yourself e What Difference Does It Make?, canções que continuam a servir de referência para milhares de guitarristas.

Outro dos momentos altos da venda será a Gibson ES-355 Cherry Red de 1960, comprada em Nova Iorque em 1984. Este instrumento inspirou a composição de Heaven Knows I’m Miserable Now e tornou-se uma imagem inseparável da banda durante o período de maior popularidade.

A coleção integra ainda uma Martin D-28 de 1971, uma rara Roger Giffin Korina “Telecaster”, uma Gibson Les Paul Standard de 1984 e uma Fender Johnny Marr Signature Jaguar, utilizada em gravações recentes e na banda sonora do filme No Time To Die.

Quando uma coleção continua viva

A decisão de colocar estas guitarras em leilão nasceu depois da publicação do livro Marr’s Guitars. Ao revisitar a história de cada instrumento, Johnny Marr concluiu que fazia mais sentido vê-los continuar a criar música do que permanecerem guardados.

Essa ideia transforma este leilão em algo diferente de uma simples venda de objetos de coleção. Cada guitarra transporta marcas de estúdio, digressões, ensaios e gravações que ajudaram a construir um dos catálogos mais influentes do rock das últimas décadas.

Muito mais do que um leilão

Parte da receita obtida com dez dos lotes será doada a instituições britânicas de solidariedade, acrescentando uma dimensão social à iniciativa.

Antes do leilão, uma seleção das guitarras poderá ser vista em exposições públicas em Nova Iorque e Londres. Será provavelmente a última oportunidade para observar reunidos instrumentos que ajudaram a definir o som dos The Smiths e de uma carreira que continua a influenciar músicos em todo o mundo.

Em setembro, o martelo anunciará novos proprietários. O verdadeiro valor destas guitarras, porém, continuará onde sempre esteve: nas canções que nasceram delas e na influência que continuam a exercer sobre a música contemporânea.

 

 

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Mafalda Matos

Mafalda Matos é jornalista no Música Total, onde assina sobretudo peças sobre [novidades musicais / entrevistas / cultura regional]. Com [10 anos] ligada ao jornalismo cultural, tem acompanhado de perto [festivais, lançamentos nacionais, etc.] e é uma das vozes mais regulares do Radar Nacional e da secção de Entrevistas do site.