A idade, no universo da música popular, costuma ser tratada como estatística. José Cid transforma-a em argumento artístico.

Com 84 anos, lança “Poesia”, single que inaugura um novo álbum e reforça a ideia de que a inquietação criativa não tem prazo de validade.
O tema antecipa “Jovem aos 80!”, disco com edição prevista para o segundo trimestre deste ano, também em formato vinil. O título não é apenas provocação. É declaração de princípio.
Uma parceria que atravessa décadas
“Poesia” nasce de um poema escrito em parceria com Tozé Brito, companheiro de longa data no percurso criativo de José Cid. A canção assenta nessa base literária com naturalidade, valorizando a palavra como eixo central da composição.
Há maturidade na forma como cada verso é entregue. A interpretação privilegia o sentido, a respiração, o peso emocional do texto. Nada soa precipitado. Tudo parece pensado à escala de quem conhece profundamente o seu próprio território artístico.
Voz, produção e identidade
Aos 84 anos, José Cid apresenta uma interpretação segura e tecnicamente sólida. A exigência vocal mantém-se evidente, sustentada por uma produção instrumental cuidada que respeita a sua identidade sem cair em fórmulas repetidas.
“Poesia” equilibra tradição e contemporaneidade com discrição. O resultado não é um exercício nostálgico, mas uma afirmação de continuidade. O artista mantém-se reconhecível, mas não cristalizado.
“Jovem aos 80!”: criação e tecnologia
O novo álbum, previsto para o segundo trimestre, será editado também em vinil, reforçando o diálogo entre passado e presente que atravessa o projeto. “Jovem aos 80!” propõe uma ideia clara: juventude como estado criativo, não como dado biográfico.
O disco integrará tecnologia de Inteligência Artificial no seu processo criativo, assumindo a inovação como ferramenta de expansão artística. Num momento em que a relação entre arte e tecnologia suscita debate, José Cid escolhe experimentar.
Um percurso que continua em movimento
Ao longo de décadas, José Cid construiu uma obra marcada pela versatilidade e pela capacidade de reinvenção. Entre diferentes géneros e abordagens, a constante foi sempre a vontade de arriscar.
Com “Poesia”, reafirma-se essa inquietação. O single já está disponível em todas as plataformas digitais e funciona como primeira pista de um álbum que promete ampliar esta conversa entre memória, tecnologia e criação.
