Sexta-feira, 2 de Outubro de 2026
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Maglore transforma “Tudo Bem” num encontro entre música e imagem

Por Jorge Silva Medeiros 1 Out 2026

Em “Tudo Bem”, a Maglore deixa perceber que uma canção não termina quando os instrumentos deixam de tocar. A voz, as guitarras, a bateria, a percussão, o baixo e uma série de instrumentos menos habituais fazem parte de um trabalho que também foi pensado para existir através da imagem.

A gravação reúne uma equipa numerosa, entre músicos, realização, câmaras, iluminação, maquinaria, fotografia e edição em tempo real. O resultado coloca a música no centro, mas revela também tudo aquilo que acontece à sua volta antes de chegar ao público.

O SOM GANHA OUTRAS CAMADAS

Teago Oliveira assume a voz e a guitarra acústica, enquanto Lucas Gonçalves divide-se entre baixo e guitarra. Felipe Dieder está na bateria e a percussão é repartida entre Filipe Castro e Teago Oliveira.

O arranjo abre ainda espaço para Mellotron e Omnichord, tocados por Otávio Bonazzi e Teago Oliveira, para o OP-1 de André Ribeiro e para o saxofone de Cuca Ferreira.

São elementos que ampliam o desenho instrumental de “Tudo Bem” sem afastar a canção da sua base de banda. A formação continua reconhecível, mas existem outras texturas a trabalhar dentro dela.

É precisamente nessa convivência que a Maglore encontra parte da sua identidade: instrumentos eléctricos e acústicos, referências diferentes e uma atenção particular aos detalhes que ficam entre a estrutura da canção e aquilo que se ouve à primeira passagem.

 

 

POR TRÁS DA CÂMARA EXISTE OUTRA BANDA

Uma gravação desta dimensão também se faz de pessoas que não aparecem diante da câmara.

Milena Moura assegurou a assistência de realização, Lucas Dex foi o primeiro assistente de câmara e Rafael Macedo acumulou as funções de segundo assistente de câmara, logger e responsável pela captação e edição em tempo real das televisões.

A Viés esteve ligada à electricidade e maquinaria, ao platô e ao estúdio. Sofia d’Ávila integrou a equipa de platô e Ana Paula Bohnenberger assegurou a assistência geral.

A fotografia still ficou a cargo de Luísa Rocha, enquanto Isabella Stecer trabalhou o design dos créditos. O arquivo esteve entregue à Pandora.

É uma lista extensa, mas ajuda a perceber uma coisa simples: aquilo que o espectador vê como uma peça acabada resulta de muitas funções diferentes a acontecerem ao mesmo tempo.

UMA BANDA QUE FOI CRESCENDO SEM PERDER A CANÇÃO

A Maglore nasceu em Salvador, na Bahia, em 2009. O primeiro passo foi dado com o EP Cores do Vento, antes de a banda lançar Veroz, em 2011.

Em 2012, o grupo mudou-se para São Paulo. No ano seguinte chegou Vamos pra Rua, gravado entre Salvador e a nova cidade da banda, com participações de Carlinhos Brown e Wado.

Depois veio III, em 2015, disco que ajudou a consolidar a presença da Maglore no panorama brasileiro. A banda passou entretanto por palcos como o Lollapalooza Brasil, SXSW, Brazil Summerfest e Rock in Rio.

Todas as Bandeiras, de 2017, e V, de 2022, deram continuidade a esse percurso. Pelo caminho, músicas da Maglore chegaram também a outros intérpretes. “Não Existe Saudade no Cosmos”, composta por Teago Oliveira, foi gravada por Erasmo Carlos em Amor É Isso…, e mais tarde ganhou uma versão da própria Maglore com Fernanda Takai e John Ulhoa.

Em 2024, a banda apresentou um disco de versões acústicas. Em 2026, chegou Fluxo Natural, o sexto álbum de inéditas.

“TUDO BEM” FICA ENTRE O SOM E A IMAGEM

Existe uma diferença entre simplesmente filmar uma banda a tocar e construir um registo audiovisual em torno de uma canção.

Em “Tudo Bem”, essa segunda dimensão está presente na própria forma como o trabalho foi produzido. A música continua a ser o ponto de partida, mas câmaras, fotografia, edição, créditos, arquivo e toda a estrutura técnica passam a fazer parte da experiência.

A produção da Maglore fica assim dividida entre aquilo que se ouve e aquilo que se vê. De um lado, quatro músicos e uma formação instrumental que se abre a diferentes possibilidades. Do outro, uma equipa que transforma essa sessão num objecto visual.

E talvez seja aí que “Tudo Bem” encontra o seu lugar mais interessante: não apenas como uma gravação de uma canção, mas como o retrato de uma banda no momento em que o som passa também a ser imagem.

FICHA TÉCNICA — “TUDO BEM”

Voz: Teago Oliveira
Bateria: Felipe Dieder
Percussão: Filipe Castro e Teago Oliveira
Baixo: Lucas Gonçalves
Guitarra: Lucas Gonçalves
Guitarra acústica: Teago Oliveira
Mellotron / Omnichord: Otávio Bonazzi e Teago Oliveira
OP-1: André Ribeiro
Saxofone: Cuca Ferreira

EQUIPA AUDIOVISUAL

Assistência de realização: Milena Moura
1.º assistente de câmara: Lucas Dex
2.º assistente de câmara / Logger: Rafael Macedo
Captação e edição em tempo real das TVs: Rafael Macedo
Electricidade e maquinaria: Viés
Platô: Sofia d’Ávila
Empresas de aluguer: Electrica Cinema e Vídeo e 22 Locações
Assistência geral: Ana Paula Bohnenberger
Fotografia still: Luísa Rocha
Design dos créditos: Isabella Stecer
Arquivo: Pandora
Estúdio: Viés

Produção Maglore: Grão Azevedo
Booking Maglore: Difusa Fronteira
Distribuição: Loco Records

MAGLORE

Teago Oliveira: Voz e guitarra
Felipe Dieder: Bateria
Lelo Brandão: Guitarra e teclados
Lucas Gonçalves: Voz e baixo

Jorge Silva Medeiros

Jorge Silva Medeiros é técnico de som na RTP e fundador do Música Total, um dos projetos editoriais dedicados à música com maior longevidade em Portugal, dentro da plataformas. Ligado ao setor da comunicação e da música há mais de duas décadas, criou também a Rádio Atlântida e tem desenvolvido um trabalho contínuo na divulgação da música portuguesa, dos artistas emergentes e dos grandes eventos culturais, assim como produção de eventos.

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