Maria João, André Mehmari e Carlos Bica iniciam digressão por seis cidades portuguesas

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Há encontros que fazem sentido no papel. Outros ganham uma dimensão especial antes mesmo da primeira nota soar.

 

A digressão que reúne Maria João, André Mehmari e Carlos Bica pertence claramente à segunda categoria. Faltando menos de um mês para o arranque, cresce a expectativa em torno de um projeto que junta três figuras incontornáveis da música improvisada e do jazz lusófono numa viagem por alguns dos mais emblemáticos palcos portugueses.

Três trajetórias excecionais cruzam-se pela primeira vez

A partir de 1 de julho, o trio inicia uma série de seis concertos que percorrem Faro, Leiria, Coimbra, Braga, Aveiro e Lisboa. Apesar dos percursos distintos, os três músicos partilham uma visão artística assente na liberdade criativa, na escuta mútua e na capacidade de transformar cada atuação num momento irrepetível.

O repertório incluirá composições originais e revisitações de standards do jazz, num formato que privilegia a improvisação e a cumplicidade entre os intérpretes. Mais do que um simples alinhamento de temas, o projeto apresenta-se como um espaço aberto à descoberta e ao diálogo musical.

Maria João continua a ser uma voz sem paralelo

 

 

Ao longo de mais de quatro décadas de carreira, Maria João consolidou-se como uma das artistas portuguesas mais respeitadas além-fronteiras. A sua abordagem vocal, capaz de atravessar géneros e linguagens musicais com naturalidade, transformou-a numa figura única no panorama europeu.

Reconhecida internacionalmente, colaborou com nomes como Bobby McFerrin, Egberto Gismonti, Gilberto Gil e Joe Zawinul. A distinção com a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique e a nomeação para o European Jazz Prize reforçam um percurso que continua a desafiar convenções e a expandir os limites da voz humana.

André Mehmari traz o virtuosismo da música brasileira contemporânea

 

 

Considerado um dos mais importantes pianistas brasileiros da atualidade, André Mehmari construiu uma obra que escapa a classificações simples. Entre o jazz, a música erudita, a composição orquestral e o piano solo, o músico desenvolveu uma linguagem própria que lhe valeu reconhecimento internacional.

Com mais de cinquenta álbuns editados e atuações em dezenas de países, Mehmari tornou-se uma referência pela forma como combina técnica, sensibilidade melódica e capacidade de improvisação. As colaborações com artistas como Maria Bethânia, Milton Nascimento e Antônio Meneses ajudaram a consolidar uma carreira singular dentro da música contemporânea.

Carlos Bica leva ao palco décadas de história do jazz português

 

Se existe um nome que atravessa várias gerações do jazz nacional, esse nome é Carlos Bica. O contrabaixista e compositor mantém há décadas uma presença constante nos principais circuitos europeus, desenvolvendo projetos que combinam experimentação, tradição e uma identidade musical profundamente reconhecível.

A sua ligação anterior a Maria João acrescenta uma dimensão especial a este encontro. Ao longo da carreira, trabalhou com músicos como John Zorn, Lee Konitz, Kenny Wheeler e Kurt Rosenwinkel, ao mesmo tempo que colaborou com figuras centrais da música portuguesa. O resultado é um percurso raro, construído entre a improvisação, a composição e uma permanente procura de novas formas de expressão.

Entre salas históricas, bilheteiras já em movimento e três carreiras que dispensam apresentações, aproxima-se um daqueles momentos que dificilmente se repetem da mesma forma. Em julho, as luzes vão baixar em seis cidades portuguesas e a conversa começará onde as palavras deixam de chegar.

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