Mariana Guimarães: uma trajetória artística entre corpo, voz e comunidade

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Existe um tipo de artista que não cabe apenas numa disciplina. Mariana Guimarães construiu o seu percurso nesse território híbrido, onde música, corpo e palavra coexistem sem hierarquia.

 

 

Nascida em Lisboa, cresceu entre a linha de Cascais e uma exposição precoce a ambientes culturais intensos. Hoje vive no campo, um espaço que escolheu não como fuga, mas como extensão natural do seu processo criativo.

A ligação à arte surge cedo e de forma orgânica. Vinda de uma família de artistas, encontrou na música, na escrita e no movimento linguagens naturais de expressão. Estudou piano clássico durante quase duas décadas e aprofundou o jazz e a improvisação. Paralelamente, integrou o coro do St. Julian’s School, onde se destacou em apresentações públicas.

Mas o percurso de Mariana não se limita à formação técnica. A convivência com a programação do Centro Cultural de Belém e da Culturgest, através da influência de Madalena Victorino, foi decisiva. Ali, a arte deixou de ser apenas forma e passou a ser também relação, presença e construção de sentido.

Do corpo à criação: uma linguagem integrada

Ao longo dos anos, Mariana expandiu o seu trabalho para além da música. Explorou dança, teatro, performance e improvisação, sempre com uma abordagem sensível e intuitiva. Essa visão integrada reflete-se na forma como cria: não separa disciplinas, cruza-as.

Formada em Antropologia, trouxe para a arte uma leitura profunda do humano. Durante mais de sete anos trabalhou em contextos sociais e comunitários. Foi nesse cruzamento entre intervenção e criação que a arte deixou de ser ferramenta e passou a ser o centro do seu caminho.

Desde 2016, desenvolve trabalho com diferentes públicos, incluindo crianças, jovens e adultos, através de oficinas, concertos e experiências criativas. Nesse mesmo ano, cofundou o projeto NÓS VOZ, focado em concertos meditativos e interativos, que abriu portas a colaborações diversas.

Palco, comunidade e afirmação artística

O percurso de Mariana inclui colaborações internacionais e presença em vários contextos artísticos. Trabalhou com o músico eslovaco Maok, integrou coletivos de dança e participou em eventos como o International Festival of Art and Construction e o World Congress of Dance UNESCO, em Atenas.

Em 2018, apresentou o seu primeiro espetáculo a solo, “Do Mar para a Terra”, onde junta música, dança e poesia. Este momento marca uma viragem clara: a afirmação enquanto criadora integral.

Entre 2019 e 2022, intensificou o trabalho com crianças em contexto escolar, mantendo em paralelo a criação musical. Os singles “Bora” e “Casa” assinalam o início do seu percurso discográfico.

“Alguém me leve” e o caminho para o segundo álbum

O álbum de estreia, “Alguém me leve”, editado em 2023, funciona como um mergulho emocional e sensorial. Musicalmente, cruza pop, fado, tradição portuguesa e influências globais. Foi apresentado em salas como a Casa da Música e o Teatro Ibérico, com passagem por vários meios de comunicação, incluindo Antena 1 e RTP.

Em 2024, Mariana focou-se no desenvolvimento do segundo disco, mantendo atividade em palco e em projetos colaborativos. Destaca-se a participação no espetáculo “Lavrar o Mar – E se fizéssemos tudo outra vez”, reforçando a ligação contínua ao universo performativo.

O novo álbum começou a ser revelado em março de 2025, com um formato de lançamento progressivo: um single por mês até março de 2026. Este modelo aproxima o público do processo e cria uma relação contínua com a obra.

O tema “Quarta-feira” destacou-se como um fenómeno orgânico, levando a música para o espaço público e criando momentos espontâneos de partilha.

O disco estreia-se primeiro ao vivo, a 12 de março, antes de chegar às plataformas digitais a 26 de março. Uma escolha que reforça a importância da experiência direta, do encontro e do tempo vivido na música.

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