Um concerto de despedida que passa por Lisboa

A confirmação dos Megadeth como co headliners do EVILLIVƎ Festival 2026 acrescenta uma dimensão histórica rara ao cartaz do evento lisboeta. A atuação marcada para 5 de julho, na MEO Arena, integra oficialmente a digressão de despedida da banda liderada por Dave Mustaine e coloca Portugal no roteiro final de uma das carreiras mais influentes da música pesada.
Não se trata apenas de mais um concerto de verão. É o encerramento de um ciclo com mais de quatro décadas, vivido em palco e partilhado com um público que acompanhou a banda em várias fases, formações e contextos históricos distintos.
O peso de um nome fundador do thrash
Fundados em 1983 por Dave Mustaine, os Megadeth ajudaram a definir os contornos do thrash metal enquanto linguagem musical e cultural. Integrantes do chamado Big Four, ao lado de Metallica, Slayer e Anthrax, construíram um catálogo que atravessa gerações, escolas e tendências sem nunca perder uma identidade própria.
A sua importância não se mede apenas em vendas ou reconhecimento crítico, mas na forma como influenciaram músicos, públicos e a própria evolução da música pesada ao longo das décadas. Este momento final carrega, por isso, um peso simbólico difícil de ignorar.
Um alinhamento pensado como despedida
O concerto em Lisboa promete funcionar como uma retrospetiva consciente. Um percurso que atravessa os clássicos fundadores dos anos 80, passa pelos momentos de reinvenção e chega ao presente, num alinhamento desenhado para fechar a história em palco.
Esta atuação servirá também de apresentação ao álbum «Megadeth», o décimo sétimo e último registo de estúdio da banda, lançado a 23 de janeiro. Um disco assumido como capítulo final, mais pelo gesto do que pela nostalgia, que encerra formalmente uma discografia determinante no metal moderno.
Um cartaz que cruza épocas e estéticas
Com esta confirmação, o EVILLIVƎ Festival reforça uma identidade artística clara. Aos já anunciados Marilyn Manson, Mastodon, The Gathering e Imminence, junta-se agora um nome que funciona como eixo central do cartaz.
A diversidade estética do alinhamento não é acidental. Reúne passado, presente e despedida num único dia, numa proposta concentrada que aposta na relevância histórica sem abdicar da atualidade. A presença dos Megadeth não domina apenas pelo estatuto. Dá contexto ao conjunto.
Uma noite irrepetível
O EVILLIVƎ Festival 2026 apresenta-se, assim, como mais do que um evento de programação ambiciosa. É um ponto de passagem final para uma banda que ajudou a moldar a música pesada tal como a conhecemos.
Não haverá repetição. Não haverá regresso anunciado. Apenas uma última noite, em Lisboa, onde o peso da história se cruza com o silêncio que vem depois.


















