Um festival feminino nos Açores já seria suficiente para chamar atenção. Mas o North Wave 2026 parece estar a construir outra coisa. DIA 25 de JUlho na RiBEIRA GRANDE

O cartaz junta artistas que vêm de universos completamente diferentes e talvez seja aí que esteja a curiosidade mais interessante: poucas vezes se vê LP, Blaya, Mari Froes, Sofia Silva & Code e Bruna Lennon no mesmo alinhamento.
Entre milhões de streams, fenómenos virais, talento açoriano e nomes que passaram por alguns dos maiores palcos do mundo, o festival está cheio de pequenas histórias que escapam ao cartaz principal.
A estrela internacional do festival já escreveu para Rihanna
A presença de LP é um dos grandes trunfos do North Wave.
O que muita gente não sabe é que antes de se tornar conhecida por temas como Lost On You, LP passou anos a escrever para outros artistas. Uma das músicas mais famosas associadas ao seu percurso é Cheers (Drink to That), gravada por Rihanna.
Curiosamente, a artista construiu primeiro reputação nos bastidores da indústria antes de conquistar o público em nome próprio.
Blaya ajudou a criar um dos projetos portugueses mais influentes deste século
Blaya não começou a sua carreira a solo.
A artista ganhou notoriedade através dos Buraka Som Sistema, projeto que levou o kuduro eletrónico português para palcos internacionais e ajudou a redefinir a música de dança produzida em Portugal.
Anos mais tarde, Faz Gostoso voltaria a explodir globalmente através de uma versão de Madonna, dando uma nova vida a uma música que já fazia parte da cultura pop portuguesa.
Mari Froes cresceu quase sem rádio nem televisão
Mari Froes representa uma geração diferente.
Grande parte do seu crescimento aconteceu através das redes sociais e do streaming, sem depender dos caminhos tradicionais da indústria musical. O seu percurso tornou-se um exemplo de como artistas mais intimistas conseguem hoje construir audiências internacionais apenas através da circulação digital das suas músicas.
O mais curioso é que a sua presença no cartaz cria um contraste enorme com a energia explosiva de Blaya ou com a dimensão internacional de LP.
O festival aposta num nome açoriano para dividir palco com artistas globais
Sofia Silva & Code surge como uma das apostas mais simbólicas do alinhamento.
O projeto representa a ligação direta do festival ao território açoriano e mostra uma tendência cada vez mais rara nos festivais: misturar artistas locais emergentes com cabeças de cartaz internacionais sem os colocar num espaço secundário.
Bruna Lennon talvez seja o nome mais intrigante do cartaz
Bruna Lennon costuma gerar imediatamente a mesma pergunta: existe alguma ligação à família Lennon?
Não.
Mas o apelido continua a despertar curiosidade sempre que aparece num festival ou evento. No North Wave, assume ainda um papel diferente ao prolongar a experiência para lá dos concertos através da after party oficial.
A sua presença será uma das novidades do conceito do NW estando a seu cargo a abertura da casa pelas 19:00 e com um set diferenciado a cada mudança de artista do palco principal. Kéké assumirá o novo espaço que será apresentado brevemente.
A maior curiosidade talvez nem esteja nos artistas
O North Wave apresenta-se como um festival com cartaz 100% feminino, algo pouco comum no panorama dos festivais portugueses. A proposta passa por reunir diferentes gerações, estilos e percursos num mesmo espaço.
No mesmo palco cruzam-se uma compositora que escreveu para estrelas globais, uma artista ligada à explosão do kuduro eletrónico, uma nova voz da MPB digital, um projeto açoriano em crescimento e uma performer brasileira associada à cultura de pista.
Talvez seja precisamente essa mistura improvável que transforma o North Wave numa das propostas mais curiosas do verão açoriano. E ainda faltam algumas semanas para perceber o que acontece quando todos esses mundos se encontram na Ribeira Grande.




