Em 1975, Patti Smith entrou no rock com Horses e fez uma coisa que parecia simples, mas mudou muita coisa: colocou a poesia no centro de uma música que queria ser urgente, física e livre. Mais de cinco décadas depois, continua a subir ao palco com essa mesma vontade. A 15 de junho de 2027, regressa a Lisboa para um concerto no Coliseu dos Recreios.
Patti Smith chega acompanhada pela sua banda para uma noite que atravessa uma carreira construída entre o rock, o punk, a poesia, a literatura e as artes visuais. “Because the Night”, “Gloria”, “Dancing Barefoot” e “People Have the Power” fazem parte de um repertório reconhecido por várias gerações, mas reduzi-la às canções mais conhecidas seria perder uma parte importante da história.
Antes de ser uma estrela do rock, Patti Smith era poeta
A história começa em Nova Iorque.
Smith mudou-se para a cidade em 1967 e encontrou ali o ambiente artístico que procurava. A poesia, a performance e a música começaram a aproximar-se até deixarem de funcionar como territórios separados. Foi também nesse período que conheceu Robert Mapplethorpe, numa relação pessoal e artística que marcaria profundamente os dois.
Patti Smith escrevia poesia, trabalhava em livrarias e circulava por uma Nova Iorque onde artistas, músicos, escritores e performers estavam a criar novas formas de expressão. Lenny Kaye tornou-se uma figura importante nesse processo e a guitarra acabou por encontrar o lugar certo para aquelas palavras.
Quando Horses chegou em 1975, já não era apenas uma poeta a experimentar música. Patti Smith tinha encontrado uma linguagem própria.
O disco tornou-se uma das obras fundamentais do punk e do rock alternativo. Não porque Patti Smith tivesse seguido uma fórmula, mas precisamente porque parecia não estar interessada em seguir nenhuma.
Horses abriu uma porta que ficou aberta
A influência de Horses foi muito além do momento em que foi lançado.
Patti Smith mostrou que uma canção podia ser agressiva sem abandonar a poesia, que uma guitarra podia acompanhar palavras complexas e que uma artista podia ocupar o palco sem precisar de caber na imagem tradicional de uma estrela rock.
Depois de Horses vieram Radio Ethiopia, Easter, Wave e outros discos que continuaram a ampliar esse território.
Foi em Easter, de 1978, que apareceu “Because the Night”, escrita por Patti Smith e Bruce Springsteen. A canção acabaria por se tornar um dos momentos mais conhecidos da sua carreira. Mais tarde surgiriam também temas como “Dancing Barefoot” e “People Have the Power”, este último escrito com Fred “Sonic” Smith.
Mas a música nunca foi uma fronteira definitiva.
Patti Smith continuou a escrever, fotografar, desenhar e publicar livros. Just Kids, lançado em 2010, recuperou a sua relação com Robert Mapplethorpe e os primeiros anos em Nova Iorque. O livro recebeu o National Book Award e confirmou uma coisa que já estava presente desde o início: para Patti Smith, escrever e fazer música sempre fizeram parte da mesma obra.
A carreira que nunca coube numa só palavra
É difícil escolher uma única definição para Patti Smith.
Cantora é pouco. Poeta também não chega. Escritora descreve apenas uma parte. Artista talvez seja a palavra que melhor permite juntar tudo, mas nem essa resolve completamente a questão.
A sua carreira foi sendo construída precisamente nessa zona entre disciplinas.
Em 2007 entrou no Rock & Roll Hall of Fame, reconhecimento de uma influência que se estendeu muito para além da geração que descobriu Horses. A sua obra tornou-se referência para músicos que chegaram depois, enquanto os seus livros deram outra dimensão a uma história que começou nos clubes e espaços artísticos de Nova Iorque.
O mais interessante é que Patti Smith nunca precisou de escolher entre essas linguagens.
A poesia continuou presente na música. A música continuou presente na escrita. E a memória continuou a alimentar ambas.
Lisboa volta a receber Patti Smith
É essa história que chega novamente a Lisboa.
Patti Smith actua no Coliseu dos Recreios a 15 de junho de 2027, acompanhada pela sua banda. Será uma nova passagem por uma cidade onde o seu nome já pertence há muito ao imaginário de várias gerações de ouvintes.
O concerto acontece numa altura em que Patti Smith continua a apresentar ao vivo uma obra construída ao longo de mais de cinco décadas. O repertório permite regressar aos primeiros anos, passar por algumas das suas canções mais conhecidas e reencontrar uma artista cuja relação com o palco nunca ficou presa a uma determinada época.
A data também permite olhar para o percurso de outra maneira.
Em 1975, Patti Smith lançava Horses. Em 2027, continua a apresentar-se ao vivo.
Entre uma coisa e outra estão discos, livros, poemas, fotografias, perdas, mudanças e uma carreira inteira construída sem separar aquilo que sempre quis manter junto: a palavra e a música.
Lisboa vai voltar a ouvi-la.
Patti Smith em Lisboa
15 de junho de 2027
Coliseu dos Recreios, Lisboa
Patti Smith acompanhada pela sua banda
Bilhetes e pré-venda
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