Há músicas que ficam guardadas tempo demais. Não por falta de valor. Talvez por excesso de significado. “Varanda” esteve assim. Cinco anos em silêncio. À espera.

Andrea Verdugo edita agora este single em nome próprio. Para muitos, ela é uma das vozes do projeto Para Sempre Marco, ligado ao repertório de Marco Paulo. Mas aqui não há homenagem coletiva nem memória partilhada em palco grande. Há uma canção íntima. Quase sussurrada.
“Varanda” foi pensada, numa fase inicial, para o Festival da Canção. Não foi escolhida. E talvez ainda bem. Porque o tema ganhou outra vida. Transformou se numa carta aberta à avó da artista. Não há metáforas excessivas. Há imagem simples. Luto direto. Aquela sensação de ser barco à deriva e, mesmo assim, procurar uma estrela qualquer no céu.
A produção é mínima. Piano contido. Espaço. Respiração audível. Nada está ali para impressionar. Está para sustentar. Tomás Cruz mantém o arranjo limpo. SuaveYouKnow trata o som com precisão, mas sem polir demais. A canção não precisa de brilho. Precisa de verdade. E isso sente se.
O vídeo segue essa linha. Pessoas reais. Histórias reais. Gente que também perdeu alguém que era pilar. Não há dramatização forçada. Há silêncio. Olhares. Presença.
No Radar de Sons do Musicatotal, “Varanda” entra sem ruído. Não é single pensado para dominar algoritmo. É música que aceita fragilidade. E isso, hoje, já é quase um gesto de resistência.
Fica a sensação de que Andrea Verdugo não quis provar nada com esta edição. Apenas cumprir uma promessa antiga. E às vezes, cumprir já é suficiente.
