Ricardo Bacelar e Airto Moreira lançam “Maracanós” a 24 de abril com edição global

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Num momento em que o jazz volta a procurar novas linguagens fora dos centros tradicionais, “Maracanós” surge como um encontro entre gerações e geografias.

 

O novo álbum de Ricardo Bacelar e Airto Moreira chega a 24 de abril em simultâneo em vários territórios, incluindo Portugal, Brasil, Estados Unidos, França, Alemanha, China e Japão, sinal claro de ambição internacional e de uma linguagem pensada para circular sem fronteiras.

Um encontro raro entre história e criação

A génese do disco remonta às sessões realizadas no estúdio Jasmin, onde Bacelar recebeu Airto Moreira em duas fases distintas. Na primeira, acompanhado por Flora Purim, registou-se o single “Aqui, ó” e iniciou-se um processo que rapidamente ultrapassou o formato convencional de gravação.

Foi nesse contexto que nasceu também um longa-metragem, realizado por Jom Tob Azulay, ainda em fase de finalização. O filme documenta o processo criativo e funciona como extensão narrativa do próprio disco, captando momentos de improvisação, tensão e descoberta.

Airto Moreira, uma vida dentro do jazz

Falar de Airto Moreira implica olhar para a própria evolução do jazz nas últimas décadas. Considerado um dos pais da percussão contemporânea, o músico construiu uma carreira ao lado de nomes como Miles Davis, Wayne Shorter, Chick Corea ou Keith Jarrett.

Esse percurso será reconhecido em abril com a atribuição do NEA Jazz Masters Fellowship, distinção da National Endowment for the Arts, considerada o mais alto reconhecimento oficial do jazz nos Estados Unidos. O prémio sublinha décadas de influência na expansão rítmica e estética do género.

Um disco que recusa fórmulas

“Maracanós” afasta-se deliberadamente de estruturas comerciais previsíveis. O álbum cruza instrumentos acústicos, percussão orgânica, cordas e texturas eletrónicas, criando uma arquitetura sonora que privilegia a improvisação e a liberdade formal.

A participação de Flora Purim na faixa “Voo da tarde” acrescenta uma dimensão vocal que dialoga com essa abordagem mais aberta. Já o quarteto de cordas Kalimera, com arranjos de Liduíno Pitombeira, introduz uma camada de densidade harmónica que reforça o carácter exploratório do projeto.

Entre o som e a imagem

A componente visual não é acessória. A capa do álbum, assinada por Fernando França, propõe uma leitura simbólica da fusão cultural entre Brasil e África, alinhando-se com a própria identidade sonora do disco.

Em paralelo, o filme de Azulay promete revelar o lado menos visível do processo criativo, aquele espaço onde a música ainda não é produto, mas tentativa. Bacelar descreve esse período como um tempo de liberdade total, onde criação e convivência se confundiram.

“Maracanós” chega agora ao público, mas a sensação é de que o projeto continua em aberto, como se cada audição fosse apenas mais uma variação possível dentro de algo que ainda está a acontecer.

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