O universo de Rodrigo Cuevas volta a cruzar fronteiras e aterra em Portugal com duas datas integradas no Misty Fest 2026. O artista asturiano apresenta La Belleza, um novo espetáculo pensado como extensão viva do álbum Manual de Belleza, lançado em março deste ano, numa proposta que junta folclore, música eletrónica, performance e teatralidade sem perder o lado humano e popular que marcou toda a sua carreira.

Depois da forte receção internacional de La Romería, Cuevas regressa agora com uma criação mais expansiva, visualmente ambiciosa e carregada de símbolos ligados à cultura tradicional asturiana. O palco deixa de funcionar apenas como espaço de concerto e transforma-se num território híbrido entre ritual, celebração coletiva e provocação artística.
Um artista que transformou o folclore numa linguagem contemporânea
Nos últimos anos, Rodrigo Cuevas construiu um percurso raro dentro da música ibérica. Entre canções tradicionais, humor performativo, cabaret e experimentação cénica, o músico espanhol conseguiu aproximar universos aparentemente distantes sem cair na caricatura nem no revivalismo fácil.
A sua abordagem ao património popular nasce de dentro. As referências rurais, os trajes, os instrumentos e os imaginários tradicionais aparecem reinventados através de uma visão contemporânea onde convivem elementos queer, eletrónica, teatralidade e cultura pop.
Essa mistura acabou por transformar Cuevas numa das figuras mais singulares da atual cena cultural espanhola, com apresentações em festivais, teatros e salas de concerto um pouco por toda a Europa.
La Belleza aprofunda o lado visual e teatral
O novo espetáculo surge construído em torno de Manual de Belleza, disco que encerra a trilogia iniciada com Manual de Cortejo e continuada em Manual de Romería. Mais do que uma sequência de álbuns, o projeto funciona como uma reflexão contínua sobre identidade, tradição e transformação cultural.
Em La Belleza, a componente cénica ganha ainda mais peso através da colaboração com o coletivo catalão Terrivle, responsável por trabalhos com artistas como Rosalía e C. Tangana. A cenografia e o desenho visual foram pensados para ampliar o universo simbólico de Cuevas, criando um ambiente quase teatral onde música, imagem e narrativa coexistem permanentemente.
O resultado promete um espetáculo imersivo, visualmente intenso e emocionalmente imprevisível, sempre com a tradição popular como matéria viva e mutável.
Porto e Lisboa recebem as únicas datas portuguesas
A passagem de Rodrigo Cuevas por Portugal acontece em novembro e integra uma das edições mais curiosas dos últimos anos do Misty Fest. O músico sobe ao palco da Casa da Música a 9 de novembro antes de seguir para o Capitólio no dia seguinte, 10 de novembro.
As duas apresentações deverão funcionar como experiências pensadas ao detalhe, onde a componente visual terá tanto peso quanto a música. Entre tradição reinventada, teatralidade e energia coletiva, La Belleza parece preparado para ocupar aquele espaço raro onde um concerto deixa de ser apenas um concerto.
O Misty Fest continua a apostar em propostas fora do óbvio
Ao incluir Rodrigo Cuevas na programação de 2026, o Misty Fest reforça uma linha artística que procura cruzar música, identidade cultural e linguagens performativas menos convencionais. O festival mantém assim a aposta em artistas capazes de desafiar formatos tradicionais e criar experiências mais próximas da arte performativa do que do espetáculo previsível.
No caso de Cuevas, essa dimensão ganha ainda mais força pela forma como transforma heranças populares em algo vivo, político e profundamente contemporâneo. Não como peça de museu. Como corpo em movimento. Como festa. Como confronto. Como memória reinventada diante de uma plateia que provavelmente vai sair diferente da forma como entrou.

