SemprAleste: “O crescimento que nos interessa é o orgânico, aquele que se conquista na estrada”

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Numa altura em que os números parecem valer mais do que as canções, os SemprAleste continuam a seguir um caminho diferente. A banda de Sintra acaba de lançar “Já Não Volto Atrás”, um tema marcado pela vulnerabilidade, pela emoção e pela recusa em seguir fórmulas pré-definidas. Entre a influência tranquila da aldeia onde nasceram, a importância dos concertos ao vivo e a defesa de um crescimento construído longe da obsessão pelos algoritmos, os SemprAleste falam ao Musicatotal sobre identidade, criação, desafios e futuro. Uma conversa sobre música, mas também sobre a coragem de permanecer fiel a si próprio quando tudo parece empurrar para o contrário.

 

 

A banda nasceu em Assafora, uma pequena aldeia de Sintra. De que forma esse ambiente influenciou a vossa identidade musical e criativa?

Assafora dá-nos o distanciamento necessário para respirar e focar no que realmente interessa, fugindo ao ruído, às pressões e aos vícios que as grandes cidades muitas vezes impõem à música. Isso, estamos em crer, reflete-se na leveza do nosso som.

Quando olham para os primeiros passos dos SemprAleste, quais foram os maiores desafios para manter o projeto vivo e em crescimento?

O maior deles foi, e continua a ser, fugir ao convencionado. Hoje impera a ditadura do like, que impulsiona visualizações e define tendências. Achamos que não é um bom princípio, e manter o projeto vivo exige resistir a essa lógica.

O crescimento que nos interessa é o orgânico, aquele que se conquista na estrada, a tocar e a promover, seja em bares ou festivais, seja em rádios locais ou de alcance global. Para nós, o passa-palavra, o assobio e o cantarolar valem mais do que qualquer publicação nas redes sociais e têm uma enorme vantagem: são reais.

Houve algum momento específico em que sentiram que a banda estava a encontrar verdadeiramente a sua própria voz?

Não acreditamos num momento mágico ou naquele clique em que tudo se ilumina. O que existe é um processo diário de descoberta individual, que tentamos sincronizar quando ligamos os instrumentos, procurando acrescentar valor às capacidades de cada um.

Os vossos temas revelam uma forte componente emocional e narrativa. Como nasce normalmente uma canção dos SemprAleste?

Não temos rituais nem nos isolamos durante um mês numa aldeia remota, sem desmerecer quem o faz. Este é um dos poucos processos cuja fórmula nem tentamos compreender, porque há coisas que não se explicam. Simplesmente acontecem.

O que vos inspirou a criar o novo single “Já Não Volto Atrás” e que significado tem para a banda nesta fase?

É o exemplo perfeito da vida real transformada em canção. O piano era o único instrumento à mão naquele instante e assim ficou, porque é mais uma história com música do que uma música com história.

Sentem que este novo tema representa uma evolução em relação aos lançamentos anteriores? Em que aspetos?

Todos os lançamentos representam uma evolução, quanto mais não seja no nosso catálogo. Sendo a música uma forma de terapia, passamos a ter mais uma resposta terapêutica e maiores probabilidades de impactar positivamente a vida das pessoas.

A vossa música cruza pop-rock alternativo, indie e rock progressivo. Como equilibram estas influências sem perder identidade?

A nossa ideia é apenas tocar. Claro que nos aproximam, na música como na vida, gostos, princípios e valores, o que é fundamental para o equilíbrio das relações humanas.

De resto, o foco está em deixar que as coisas aconteçam da forma mais natural possível e nunca permitir que a indústria subjugue a criação, seja em que circunstância for.

A experiência ao vivo parece ser uma parte importante do vosso percurso. O que procuram transmitir ao público quando sobem ao palco?

A expectativa é estarmos preparados para entender aquilo que o público nos quer transmitir. Torna-se uma catarse coletiva, onde se recebe na proporção daquilo que se dá.

Têm conquistado cada vez mais atenção através das plataformas digitais e dos meios de comunicação. Como têm vivido esse crescimento?

Vivemo-lo com relativo distanciamento, sem nos deixarmos deslumbrar pelo ruído. Sabemos que o mundo virtual faz parte do presente e cumprimos os mínimos olímpicos porque não somos alienados, mas as redes e plataformas digitais são apenas pontos de contacto, não o destino final.

Felizmente, temos já uma equipa de comunicação a trabalhar connosco, que nos orienta e torna a nossa estrutura mais compacta e profissional.

Quais são as referências musicais que continuam a inspirar os SemprAleste atualmente?

Diria que todos aqueles que, pela sua relevância incontornável, se tornaram únicos e irrepetíveis. É definitivamente esse o universo que nos inspira.

Existe algum objetivo artístico ou criativo que ainda gostariam de alcançar nos próximos anos?

Para além de nunca perdermos a nossa identidade, gostaríamos de conseguir transpô-la para escalas cada vez maiores, criando espetáculos que funcionem como experiências visuais, sonoras e sensoriais completas.

O que podem os ouvintes esperar dos SemprAleste nos próximos tempos?

Música.

O mundo é aquilo que cantamos dele e nós cantamo-lo puro, colorido e feliz.

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