Existe um ponto na música portuguesa contemporânea onde tradição e eletrónica deixam de ser opostos e passam a respirar no mesmo corpo. É nesse território que TRISTANA II ganha forma. O novo disco de Stereossauro chega agora ao palco com duas datas que funcionam quase como ritual de passagem: 2 de maio, no Museu da Música, e 16 de maio no Texas Club.

Stereossauro: Uma personagem que evolui sem pedir licença
Depois de um primeiro capítulo mais contido, TRISTANA II abre espaço à expansão. A narrativa cresce, ganha corpo e perde o medo da noite. O que antes era introspeção transforma-se agora em movimento. Há risco, há impulso, há uma vontade clara de sair do lugar.
“Martelo de Porcelana” funciona como chave de leitura desta nova fase. Não é apenas um single. É um gesto. Um corte com o passado recente e uma entrada direta num território onde a pista de dança não anula a emoção, apenas a amplifica.
Ana Magalhães como centro emocional
A voz continua a ser o ponto de ancoragem. Ana Magalhães regressa com uma interpretação que recusa polimento excessivo. Há matéria crua ali. Há história.
O percurso ligado ao fado tradicional sente-se, mas não limita. Pelo contrário. Essa base dá-lhe liberdade para arriscar, para esticar as palavras, para habitar a personagem Tristana com uma intensidade que nunca soa ensaiada. É quase como se cada tema fosse vivido no limite.
Eletrónica que não esquece de onde vem
Sonoramente, o disco afasta-se de estruturas mais contemplativas e aproxima-se de linguagens mais físicas. House, techno e drum’n’bass surgem como ferramentas, não como rótulos. O objetivo não é seguir tendências, é criar tensão entre corpo e palavra.
A ausência da guitarra portuguesa, que marcava trabalhos anteriores, não é um abandono. É uma escolha estratégica. Abre espaço. Deixa entrar novas texturas. Permite que a narrativa respire de outra forma, sem perder ligação ao ADN que define o projeto.
Um espetáculo pensado para o impacto ao vivo
Estes concertos não surgem como simples apresentações. Funcionam como primeira materialização real desta nova fase. O palco torna-se extensão direta do disco.
Produzido e gravado integralmente nas Caldas da Rainha, TRISTANA II carrega um lado artesanal que se traduz em detalhe. Ao vivo, esse detalhe tende a ganhar outra dimensão. Mais física. Mais imediata. Mais imprevisível.
As datas em Mafra e Leiria aparecem assim como pontos de partida. Momentos iniciais de algo que ainda está a crescer, a ajustar-se, a encontrar novas formas de existir fora do estúdio. E fica a sensação de que isto ainda só começou.
Quem é Stereossauro

Com uma carreira consolidada que se divide entre o DJing e a produção musical, iniciada no início dos anos 2000, Stereossauro construiu um percurso singular, marcado por uma discografia extensa e por um palmarés ímpar no universo do DJing competitivo.
Apresentou DJ sets e concertos com as suas próprias produções nos principais festivais em Portugal, tendo também atuado internacionalmente em países como os Estados Unidos, Alemanha, França, China e Macau.
Na cena das batalhas de DJ, é quatro vezes campeão mundial. Em 2024, venceu tanto o DMC Open Online como a batalha mundial DMC Open, em Paris. Enquanto membro dos Beatbombers, ao lado de DJ Ride, conquistou ainda a categoria Show/IDA, em 2011 e 2016, consolidando uma reputação de excelência técnica e criatividade performativa à escala global.
Enquanto produtor, Stereossauro tem desenvolvido um trabalho profundamente ligado ao sampling da guitarra portuguesa e à herança do fado, dando-lhe nova vida através da música eletrónica. É considerado um dos pioneiros do movimento “novo fado” surgido em Lisboa, tendo a sua expressão mais marcante no aclamado álbum Bairro da Ponte (2019). Nesse disco, cruzou batidas eletrónicas com vozes e obras de referências maiores da música portuguesa, como Carlos do Carmo, Amália Rodrigues, Carlos Paredes e Ana Moura, contribuindo para a criação de uma nova linguagem musical no contexto nacional.
Com mais de 50 mil ouvintes mensais no Spotify, a sua música tem registado um crescimento consistente a nível internacional. Paralelamente, Stereossauro conta com um vasto catálogo de produções para outros artistas e com vários placements em publicidade e televisão, incluindo o tema de abertura do Festival Eurovisão da Canção 2018 e o hino oficial do Campeonato Português de Futebol de 2021.

