Westway Lab 2026 reforça formação com workshops focados nos desafios reais da indústria musical

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Entre os dias 8 e 11 de abril, Guimarães volta a assumir-se como ponto de encontro estratégico para a música, mas há um detalhe que ganha peso nesta edição: o foco na capacitação prática.

 

Num momento em que o setor vive uma transformação acelerada, dominar as ferramentas certas deixou de ser opcional e passou a ser sobrevivência.

A Why Portugal entra neste cenário com uma proposta clara: formar melhor para competir melhor. O programa de workshops apresentado no âmbito do Westway Lab 2026 não se limita a teoria nem a discursos institucionais. Aponta diretamente às fricções do presente digital e às dúvidas concretas de quem trabalha no terreno.

Formação como resposta a um mercado em mutação

A música deixou de ser apenas criação e passou a ser também gestão de dados, direitos e presença global. O crescimento do streaming e das plataformas digitais alterou completamente o modelo de negócio, tornando o conhecimento técnico uma extensão natural do trabalho artístico.

É precisamente nesse ponto que a Why Portugal posiciona estes workshops. Não como complemento, mas como ferramenta central. Direitos digitais, inteligência artificial, internacionalização e gestão de carreira deixam de ser temas abstratos para se tornarem competências operacionais.

Gestão artística: entre visão e execução

No dia 10 de abril, às 10h, Stefan Schurter, do Swiss Music Managers Forum, conduz uma sessão dedicada à gestão de carreira artística. O foco está na construção de projetos sustentáveis num mercado altamente competitivo.

A abordagem promete ir além da teoria. Planeamento estratégico, desenvolvimento de equipas, negociação e financiamento surgem aqui ligados à prática diária do management. O objetivo é claro: preparar profissionais para decisões reais, não cenários ideais.

Direitos digitais e IA: o novo centro da indústria

Às 11h30, Miguel Carretas, da Audiogest, mergulha num dos temas mais críticos da atualidade: os direitos digitais e o impacto da inteligência artificial. Num ecossistema onde o acesso substituiu a posse, compreender os mecanismos legais tornou-se essencial.

O workshop propõe uma leitura estruturada dos diferentes tipos de direitos, das formas de utilização das obras e das tensões emergentes com a IA. Mais do que explicar conceitos, tenta traduzir um sistema complexo em decisões práticas para quem cria e distribui música.

Internacionalização: tocar fora sem perder o controlo

Durante a tarde, às 15h30, Jess Partridge, da EMMA, conduz uma sessão dedicada à circulação internacional. Um tema frequentemente romantizado, mas que na prática envolve burocracia, estratégia e adaptação constante.

Questões como vistos, fiscalidade, logística e construção de redes locais entram aqui em detalhe. O workshop assume que internacionalizar não é apenas sair do país. É saber operar num território novo sem comprometer sustentabilidade financeira nem identidade artística.

O que fica desta programação é uma mudança subtil mas relevante: a ideia de que talento, por si só, já não chega. A música continua a começar na criação, mas hoje decide-se na forma como é gerida, protegida e levada ao mundo. Guimarães volta a ser palco disso, mas desta vez com um olhar mais técnico, mais direto, mais próximo da realidade de quem vive disto todos os dias.

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