Quarta-feira, 23 de Setembro de 2026
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808 Punks junta punk, funk e samba no novo videoclipe de “Bater Cabeça e Rebolar”

Por Mafalda Matos 23 Set 2026

Punk, funk, samba, rock’n’roll e música electrónica entram na mesma música em “Bater Cabeça e Rebolar”, tema que dá nome ao EP de estreia da 808 Punks, lançado em 2025 pela Bonde Music. Agora, a faixa ganha um videoclipe realizado por Rabu Gonzales, numa tradução visual da mistura que a banda assumiu como parte da sua identidade.

A banda carioca chama-lhe Anarkophunk. O nome serve para explicar uma música que não quer ficar presa a uma fórmula e que aproxima referências que, à primeira vista, poderiam parecer distantes. No vídeo, a intenção foi manter essa mesma atitude: mostrar a 808 Punks de forma directa, sem tentar suavizar as diferentes partes que compõem o seu som.

Xandee, guitarrista da banda, descreve o videoclipe como uma espécie de “raio x” da 808 Punks, uma apresentação da banda “nua e crua”. Para Rabu Gonzales, a ligação entre punk e funk está também numa ideia de construção pelo “faça você mesmo”, uma aproximação que orientou a linguagem do vídeo.

Uma banda que não escolhe entre peso e groove

“Bater Cabeça e Rebolar” também resume a contradição aparente que está no centro da 808 Punks. A música tem peso e agressividade, mas não abdica do groove, da dança ou do humor.

Prixxx, uma das vocalistas, explica que o desafio do videoclipe esteve precisamente em transportar para o audiovisual essa diversidade sem a tornar mais simples do que é. A proposta era manter a mistura presente na música e deixar que referências diferentes coexistissem no mesmo espaço.

A formação actual ajuda a perceber essa amplitude. André Paumgartten assume voz, programação e theremin, ao lado das vozes de Glenda Maldita e Prixxx, da guitarra de Xandee Farias, do baixo de Formigão e da bateria de JotaErre.

JotaErre é a entrada mais recente. O músico, fundador do MC’s HC, juntou-se à banda em maio de 2026 e fez a estreia no Circo Voador depois de apenas um ensaio com os restantes elementos. Desde então, a banda fala de uma formação mais entrosada e de um novo impulso.

 

 

O subúrbio carioca também está dentro da música

As referências da 808 Punks não ficam apenas nos nomes associados ao punk ou ao rock. André Paumgartten aponta MCs HC, Comunidade Ninjitsu, Bonde do Rolê e DeFalla, mas coloca também o samba de quadra e o funk de baile dentro dessa genealogia.

É uma relação que a banda faz questão de assumir. Para André, a própria ideia de punk está ligada a experiências de quem vive à margem, ao DIY e ao “No Future”, e encontra paralelos na cultura musical do subúrbio carioca.

A 808 Punks chama a esta mistura Anarkophunk precisamente porque não pretende separar essas referências. Glenda Maldita fala de uma banda que mistura punk, funk, samba, rock’n’roll e música electrónica para construir uma identidade própria. E dentro dessas canções cabem também temas como questões sociais, poder feminino e valorização da classe trabalhadora, acompanhados por aquilo que Prixxx descreve como humor ácido.

Depois do lançamento do EP, a banda começou também a alargar o percurso fora do Brasil. Passou pelo Uruguai, onde teve uma data esgotada, regressará ao país em novembro e prepara para outubro a primeira apresentação na Alemanha. Ao mesmo tempo, a 808 Punks já trabalha na pré-produção do próximo álbum, previsto para 2027.

“Bater Cabeça e Rebolar” acaba por condensar tudo isso num só lugar. A guitarra encontra o funk, o peso convive com o groove e o subúrbio carioca entra na equação sem pedir licença. O resultado é a própria definição que a banda escolheu para a sua música: Anarkophunk.

Mafalda Matos

Mafalda Matos é jornalista no Música Total, onde assina sobretudo peças sobre [novidades musicais / entrevistas / cultura regional]. Com [10 anos] ligada ao jornalismo cultural, tem acompanhado de perto [festivais, lançamentos nacionais, etc.] e é uma das vozes mais regulares do Radar Nacional e da secção de Entrevistas do site.

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