
Uma nova publicação dedicada à cultura alternativa açoriana prepara-se para ganhar espaço no panorama editorial independente. Chama-se Complexo N e nasce com a intenção clara de promover músicos, artistas e expressões culturais da região através de um formato híbrido que mistura almanaque, fanzine e jornalismo cultural.
Idealizado por Nuno Costa, natural das Furnas, na ilha de São Miguel, o projecto aposta numa abordagem que privilegia o tempo e a profundidade. Num momento em que a informação circula cada vez mais depressa, o Complexo N assume-se como uma proposta de “jornalismo lento”, dando espaço à investigação, à análise e ao contexto cultural dos artistas.
A publicação apresenta-se num formato compacto e acessível, combinando diferentes estilos de escrita e uma linguagem que pode oscilar entre o tom erudito e o registo mais informal ou satírico. A ideia passa por aproximar público e artistas, criando um espaço de leitura que permita compreender melhor as histórias, as ideias e as inquietações que atravessam a cena cultural alternativa dos Açores.
Outro dos objetivos centrais é reforçar a ligação entre os músicos açorianos e a sua comunidade. O projecto procura derrubar barreiras entre cultura de massas e cultura alternativa, defendendo que a pluralidade artística é um elemento essencial para uma sociedade democrática, tolerante e aberta.
Nas palavras do próprio fundador, o projecto pretende sobretudo criar uma ligação emocional entre público e artistas. Num mundo marcado pela pressa e pela saturação de informação, parar para ler, conhecer e refletir sobre a arte torna-se quase um gesto de resistência cultural.
Um percurso ligado à música e à escrita
Nuno José Moniz Costa nasceu em 1983 nas Furnas e desenvolveu desde cedo uma ligação forte à música alternativa. Na adolescência começou a tocar bateria e integrou projetos como Sanctus Nosferatu e Human Hate, bandas com as quais gravou dois discos e venceu concursos de música em Angra do Heroísmo e na Ribeira Grande.
Em paralelo, dedicou-se à escrita e criou o fanzine SoundZone, uma publicação que ao longo de doze anos reuniu notícias, entrevistas e críticas musicais. O trabalho acabou por levar ao convite para colaborar com a revista Loud!, uma das principais publicações portuguesas dedicadas ao rock e ao heavy metal.
O percurso inclui ainda colaboração com revistas regionais e experiência como promotor de eventos, destacando-se a organização do Festival Alta Tensão, realizado no Coliseu Micaelense.
Em 2023 publicou “Quimeras de Lava – Uma História do Metal Açoriano 1985–2000”, um livro com mais de 500 páginas dedicado à história do heavy metal no arquipélago.
O Complexo N surge agora como continuação natural desse percurso, juntando música, escrita e identidade açoriana num projecto editorial independente que pretende dar voz aos artistas e às suas histórias.
Objectivos do Complexo N
Entre as metas definidas para a publicação estão:
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Promover hábitos de leitura
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Divulgar artistas açorianos num estilo próprio e independente
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Apostar na profundidade da análise cultural
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Criar um objeto de promoção útil para os artistas
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Oferecer uma alternativa às formas rápidas de consumo de informação
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Dar maior foco à mensagem e à obra dos criadores
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Aproximar artistas e público através de um formato editorial intimista










