Durante anos repetiu-se a mesma frase: o rock morreu. A indústria virou-se para o hip hop, o pop global e a música eletrónica, enquanto as guitarras pareciam perder espaço nas tabelas. Mas nos últimos dois ou três anos algo começou a mudar.

Não é um regresso clássico, nostálgico. É outra coisa. Um movimento mais difuso, espalhado por várias cenas.
Parte desse impulso vem do circuito indie e alternativo. Bandas como Fontaines D.C., IDLES ou Wet Leg trouxeram de volta uma energia crua que estava um pouco adormecida no mainstream. Não dominam necessariamente as tabelas globais, mas dominam conversas culturais, festivais e crítica musical.
Ao mesmo tempo, artistas que não pertencem totalmente ao universo rock começaram a recuperar guitarras. A norte-americana Olivia Rodrigo mostrou como o pop pode voltar a beber diretamente do rock alternativo dos anos 90. Esse cruzamento entre pop e guitarras abriu novamente espaço para uma estética sonora que parecia relegada ao passado.
O papel dos festivais
Outro sinal vem dos festivais. Nos cartazes europeus dos últimos anos, o rock alternativo voltou a aparecer com força. Não apenas bandas veteranas, mas também projetos novos que nasceram na internet ou em pequenas cenas locais.
Festivais continuam a ser um termómetro importante da música contemporânea. Quando as guitarras regressam aos palcos principais, normalmente significa que existe público suficiente para sustentar esse regresso.
Um rock diferente
Mas o que está a acontecer não é simplesmente um revivalismo. O rock que está a surgir agora mistura influências: eletrónica, hip hop, pós-punk, indie pop. Não tenta repetir o passado. Reinterpreta-o.
Essa mistura permite que a estética rock continue viva sem ficar presa a uma única fórmula. A guitarra continua lá. Só que agora convive com produção digital, sintetizadores e novas formas de performance.
O futuro das guitarras
Talvez a pergunta correta não seja se o rock voltou. Talvez seja outra: o rock alguma vez desapareceu realmente? A história mostra que os géneros musicais raramente morrem. Transformam-se, desaparecem temporariamente do centro da indústria e depois regressam com outra forma.
Hoje parece claro que as guitarras voltaram a ganhar espaço. Não como domínio absoluto da cultura pop, como aconteceu em outras décadas. Mas como uma linguagem musical que continua a reinventar-se sempre que uma nova geração decide pegá-las outra vez.

