Sean Riley & The Slowriders esgotam concerto de 20 anos em Lisboa

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Há datas que funcionam como pontos de viragem silenciosos. Este concerto é um desses momentos. Sean Riley & The Slowriders acabam de esgotar a atuação marcada para 25 de março na Casa Capitão, em Lisboa, numa noite que não é apenas mais uma paragem em agenda, mas um gesto de memória coletiva.

 

A sala escolhida, o Rés do Chão do novo polo cultural lisboeta, recebe um espetáculo que olha para trás sem perder o presente. Duas décadas depois do primeiro concerto, a banda regressa ao palco com a mesma ideia de início, mas com um peso diferente nas mãos.

O início em Coimbra que mudou tudo

A história recua a 3 de março de 2006. No Teatro Académico de Gil Vicente, em Coimbra, Afonso Rodrigues, Bruno Simões e Filipe Costa sobem ao palco ainda sem nome fixo. Tocam seis canções em pouco mais de 20 minutos. Parece pouco, mas não foi.

O concerto fazia parte das comemorações dos 20 anos da Rádio Universidade de Coimbra. A sala estava cheia. A reação foi imediata. O que começou como uma experiência quase casual tornou-se o primeiro passo de um percurso que rapidamente deixou de ser local para ganhar escala nacional.

Crescimento, discos e identidade própria

Com o tempo, a banda expandiu-se. Filipe Rocha entra e acrescenta novas camadas ao som. Mais tarde, Nuno Filipe junta-se, consolidando uma formação que viria a definir a identidade do grupo.

Vieram os discos, as digressões, os palcos maiores. E com isso, uma evolução que nunca perdeu o ADN inicial. Há uma coerência rara no percurso da banda. Mudaram, cresceram, mas nunca soaram deslocados de si próprios.

Uma ligação que resiste ao tempo

Vinte anos depois, o que mais impressiona não é apenas a longevidade. É a ligação entre os elementos. Essa continuidade sente-se na forma como tocam, como constroem repertório, como mantêm uma relação direta com quem os ouve.

Este concerto surge como uma celebração dessa ligação. Não é só sobre passado. É também sobre resistência, sobre continuar a fazer sentido num cenário musical em constante mudança.

Um concerto que é também reencontro

A noite de 25 de março promete mais do que um alinhamento de temas conhecidos. Funciona como uma viagem emocional por canções que acompanharam diferentes fases da vida de quem as escuta.

Com lotação esgotada, a Casa Capitão prepara-se para receber um momento que dificilmente se repete da mesma forma. Entre memória e presente, a banda volta ao ponto de partida com outra densidade. E fica a sensação de que ainda há caminho por percorrer, mesmo quando o passado pesa tanto quanto estas duas décadas.

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