Kriol Jazz Festival regressa a Águeda e reforça ligação à música crioula contemporânea

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Águeda volta a entrar no mapa dos encontros musicais improváveis. Depois de ter sido a primeira cidade europeia a acolher o Kriol Jazz Festival em 2025, reafirma agora essa posição com uma segunda edição que insiste na mesma ideia central: cruzar geografias através do som.

 

Entre 27 e 29 de março de 2026, o Centro de Artes de Águeda transforma-se num ponto de contacto direto com a música crioula contemporânea, num programa que mistura tradição, reinvenção e uma leitura atual das raízes cabo-verdianas.

Um festival que constrói pontes entre continentes

O regresso do festival a Águeda não é apenas continuidade, é afirmação. A cidade passa de anfitriã ocasional a território recorrente dentro da circulação europeia do evento, algo que reforça o seu posicionamento cultural fora dos grandes centros.

A proposta mantém-se clara: três dias dedicados à fusão de linguagens, ritmos e identidades. Jazz, música africana, soul e influências urbanas cruzam-se num formato que não procura pureza, mas sim diálogo.

Os Tubarões trazem memória e identidade

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A abertura, a 27 de março, fica a cargo dos Os Tubarões, nome incontornável da música de Cabo Verde. Mais do que uma banda, representam um período decisivo da afirmação cultural e política do país, especialmente no contexto pós-Revolução de 25 de Abril.

Com uma carreira marcada por mudanças internas e continuidade estética, mantiveram sempre uma ligação forte ao público e à identidade crioula. O regresso aos palcos em 2015 devolveu-lhes uma presença ativa que continua a ecoar em festivais internacionais.

Brooklyn Funk Essentials e a energia da fusão urbana

No dia 28, entram em cena os Brooklyn Funk Essentials, coletivo que há quase três décadas trabalha a fusão entre funk, jazz, hip-hop e spoken word.

Fundados por Arthur Baker e Lati Kronlund, construíram uma identidade baseada na mistura e na liberdade criativa. O álbum Cool & Steady & Easy colocou-os no topo das tabelas Alternative R&B, e desde então mantêm uma reputação sólida ao vivo, com concertos intensos e imprevisíveis.

Yilian Cañizares fecha com sofisticação e raiz afro-cubana

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O encerramento, a 29 de março, pertence a Yilian Cañizares, artista que tem vindo a consolidar um percurso singular na cena internacional.

Nascida em Havana e radicada na Suíça, construiu uma linguagem própria onde o jazz convive com a música clássica e ritmos afro-cubanos. O reconhecimento internacional veio cedo, com a vitória no Montreux Jazz Festival Competition, e consolidou-se através de colaborações com nomes como Omar Sosa ou Chucho Valdés.

Informação útil

  • Datas: 27 a 29 de março de 2026
  • Local: Auditório do Centro de Artes de Águeda
  • Classificação: M/6
  • Bilhete individual: 8€
  • Horário dos concertos: 21h30

Três noites, três propostas distintas, um eixo comum. A sensação de que a música, quando atravessa oceanos, ganha outras camadas e deixa sempre qualquer coisa no caminho.

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