Natural de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, Carmen Raposo é uma das vozes que melhor representa a nova geração de cantautoras açorianas.

O seu percurso artístico cruza tradição, música popular portuguesa e influências vindas de universos tão distintos como o metal, a música clássica e as sonoridades africanas, construindo uma identidade própria que continua a afirmar-se dentro e fora do arquipélago.
Cresceu rodeada de música, numa época em que vários cantautores contribuíam para renovar a música de raiz açoriana. Essa convivência com a cultura das ilhas acabaria por moldar a sua escrita e a forma como encara a criação artística, fazendo da identidade açoriana um dos pilares das suas canções.
A sua formação começou no Conservatório Regional de Ponta Delgada, onde concluiu o 5.º grau de Formação Musical e o 4.º grau de Piano, complementando mais tarde os estudos com canto lírico. Ainda jovem encontrou na bateria uma nova forma de expressão e, em 2002, entrou para a banda de metal gótico Schism, tornando-se a primeira mulher açoriana a assumir esse instrumento num projeto do género.
Embora a sua vida profissional a tenha levado para Lisboa e, posteriormente, para a Guiné-Bissau, a música nunca deixou de fazer parte do seu caminho. Durante a permanência em África aprofundou o estudo da percussão tradicional, aprendendo djambé com o percussionista Wilson da Silva, experiência que viria a enriquecer a sua linguagem musical.
O regresso aos Açores, em 2018, marcou também um regresso à composição. Participou no projeto Bracinhos no Ar, de Aníbal Raposo, iniciando uma colaboração artística que permanece ativa. Pouco tempo depois começou a escrever as suas próprias canções e entrou em estúdio para gravar o primeiro álbum, produzido por Mário Raposo.
Em outubro de 2023 editou Estios e Tormentas, um disco totalmente composto por si, onde cruza memória, paisagem, tradição e contemporaneidade. O álbum contou com a participação de vários músicos açorianos, reforçando o espírito colaborativo que caracteriza o seu trabalho.
Desde então tem apresentado estas canções em diversos palcos dos Açores, entre os quais o Lava Jazz, em Ponta Delgada, o Teatro Ribeiragrandense, as Noites de Verão de Ponta Delgada, as Quartas Culturais de Santa Clara e o Festival Música no Forte, nas Lajes do Pico.
Ao vivo, Carmen Raposo distingue-se por integrar instrumentos como o djambé e o adufe nas suas atuações, acrescentando uma dimensão rítmica que complementa uma escrita profundamente ligada à música popular portuguesa.
Paralelamente ao projeto a solo, integra os projetos Cantigas de Amor e Condor, com Mário Raposo, e Abril de Viva Voz, com Aníbal Raposo. Tem ainda colaborado com diversos artistas e iniciativas culturais, destacando-se o espetáculo enCANTO às Ilhas de Bruma, a participação no álbum Cordas Primas dos Mar&Ilha, a presença no filme musical O Mistério do Arquipélago Flutuante, de Zeca Medeiros, e a representação da ilha de São Miguel no coro da Marcha Oficial das Sanjoaninas de 2026.
O seu novo single será lançado na próxima sexta-feira, 3 de julho, às 18h (hora dos Açores), nas principais plataformas digitais, acompanhado pela estreia do respetivo videoclipe no YouTube. Este lançamento representa mais um passo na afirmação de uma artista que continua a levar a música feita nos Açores a novos públicos, mantendo sempre a identidade das ilhas no centro da sua criação.



